Depois do texto “Comprar roupa: eles vs. elas”, chega o momento de
dissertar acerca da compra de tecnologia. O homem, quando compra
tecnologia, tem em consideração uma série de factores que podem, no que diz
respeito aos “gadgets”, fazer a diferença entre ser o Tone Morcela, que nem
e-mail tem, e ser o James Bond (atenção, o Chico Morcela é diferente, porque já
tem um iPhone 6s, o James Bond também não tem e-mail, mas é porque não existe).
Vamos supor que um homem quer comprar um computador. O
primeiro modelo a captar a sua atenção tem um super-processador, tão rápido
que é capaz de mandar um pedido de amizade no Facebook antes de um gajo saber
que a miúda é gira. Tão rápido que calcula o custo de uma obra pública já a contar com a derrapagem. Tão rápido que, quando um gajo acaba de instalar o FIFA, o campeonato já vai na quinta jornada. Tão rápido que, quando um gajo instala um programa, lê os “Termos e Condições”, só para abrandar um pouco o processo. Portanto, já toda a gente percebeu que o processador é rápido.
O computador tem tal quantidade de memória RAM que consegue processar, em simultâneo, todos os dados da NASA, do MIT, do
acelerador de partículas do CERN e (atenção, que este último parâmetro é o que
diferencia um processador normal de um super-processador) da base de dados de
filmes pornográficos do Chico Morcela.
Enfim, é um computador de sonho. Mas custa 4999,99
euros. O homem passa para algo mais em conta. 799,99 euros, um computador que dá para jogar FIFA, sem ficar lento.
Mas “oitocentos paus” por um computador é um bocado puxado. Então, o homem desenvolve um sentido de sobrevivência que orgulharia os nossos antepassados, um sentido prático que faz dele um soldado em situação de sobrevivência. “Ora bem, qual é, para mim, a verdadeira finalidade de um computador? Trabalho? Não. Jogos? Não. Bem, na verdade, eu quero um computador que dê para ir ao Facebook e para ver pornografia.”
Mas “oitocentos paus” por um computador é um bocado puxado. Então, o homem desenvolve um sentido de sobrevivência que orgulharia os nossos antepassados, um sentido prático que faz dele um soldado em situação de sobrevivência. “Ora bem, qual é, para mim, a verdadeira finalidade de um computador? Trabalho? Não. Jogos? Não. Bem, na verdade, eu quero um computador que dê para ir ao Facebook e para ver pornografia.”
- Amigo, aquele de 299,99 euros tá óptimo!
No caso das senhoras, o cenário muda de figura. Imaginemos que uma mulher vai comprar um computador. Apresentam-lhe o computador com um super-processador, uma memória RAM que
faz inveja àquele nosso amigo que sabe o nome de todos os filmes produzidos
desde 1972, mais a placa gráfica dos balázios. Ela gosta da ideia, mas acha um absurdo dar tanto dinheiro por um computador.
Continua a procura e encontra um computador que
tem um processador tão lento que, se quisermos instalar o FIFA 16, temos que o
comprar quando sair o 15. Um processador tão lento que encrava na calculadora.
Um computador que tem tão pouco espaço de armazenamento que, se os outros
computadores falassem, chamar-lhe-iam “disquete”. Um computador... azul turquesa.
Está escolhido. Não vai jogar FIFA nem GTA, calculadora tem no telemóvel, espaço tem no disco externo. Custa 299,99 euros, dá para ir ao Facebook e para ver séries. E é lindo de morrer. Quando deixar de o usar, poderá usá-lo como objecto decorativo.
A mulher finaliza a compra antes do homem. Porque o homem, entretanto, foi fazer um crédito. Vai levar o de 799,99 euros. Nem é pelo FIFA, é porque pode dar jeito para o trabalho. Mas parece que o FIFA, este ano, está espectacular.