A Cristina Ferreira é atraente, mas como adora falar aos
berros, pode tornar-se repelente. Imaginem que querem ler um livro e têm duas
hipóteses: uma rua onde está um gajo a furar o chão com um martelo pneumático
ou uma sala com uma televisão onde está a Cristina Ferreira aos berros.
O martelo pneumático nem é assim tão mau.
A televisão ao Domingo à noite é dedicada aos talentos. As
pessoas vão a concursos mostrar que sabem cantar, dançar, fazer o pino, fazer
truques de ilusionismo, cozinhar ou ter uma opinião fundamentada sobre tudo.
Esperem, este último é o Marcelo Rebelo de Sousa.
Existem, paralelamente, os programas sobre a jornada de futebol
do fim-de-semana. Eu só equacionaria ver televisão ao Domingo à noite se os
protagonistas trocassem de lugar. Vou dar alguns exemplos.
A meio de um programa de futebol, um dos comentadores tinha
que comentar um fora-de-jogo a cantar diante de um júri.
Durante um concurso de culinária, um chef tinha que confeccionar
um bolo com a forma da Torre Eiffel, enquanto dançava kizomba com a Rita
Pereira.
Num concurso para cantores, um ilusionista fazia desaparecer
o Fernando Mendes, dentro de uma caixa, enquanto cantava o tema “Goodbye, My
Love, Goodbye”, de Demis Roussos.
Um cantor tentava fazer um número de contorcionismo que
consistia em entrar na caixa onde estava escondido o Fernando Mendes, mas sem
tirar o Fernando Mendes lá de dentro. (Podia tentar levar o bolo em forma de
Torre Eiffel, para o caso de o Fernando Mendes estar com um “ratinho”.)
Isto sim, seria televisão de qualidade, ao Domingo à noite.
Todos os programas seriam apresentados por um androide em forma de Cristina
Ferreira. Perguntam vocês: mas os androides seriam todos a Cristina Ferreira
por ela ser gira?
Não, sê-lo-iam porque os androides permitem regular o volume
de som.