Bill Gates bebeu água destilada a
partir de fezes. O objectivo desta acção foi promover uma nova tecnologia que
produz água e electricidade a partir de dejectos humanos, tecnologia essa que
será utilizada nos países mais pobres.
Esta é a parte que eu não
percebo. Porque não utilizar isto nos países ricos? Nos restaurantes ricos,
inclusivamente? É que nós já comemos porcaria várias vezes, sem o sabermos.
Porque não comer porcaria sabendo que é porcaria?
Um restaurante gourmet. Um chefe
de sala nascido em Portugal, mas com sotaque francês, para dar mais cagança.
Vestido a rigor, vai encaminhando os clientes para as mesas, ajeitando as
cadeiras e entregando as ementas como se fossem bumerangues.
De fundo, músicas bonitas que
alguém tocava, no piano. Através de uma abertura na parede, via-se a cozinha,
onde os artífices cozinhavam a sorrir e ao som da música.
Cá fora, um gajo assaltava uns
carritos, mas como está frio, vamos para dentro outra vez.
Um senhor sujava a camisa com
molho mostarda, mas logo aparecia um empregado com tira-nódoas, deixando a
camisa quase igual (durante duas horas, porque depois o efeito iria passar e a
camisa iria para o lixo).
Os pedidos começavam a surgir.
- Cocó com molho Gorgonzola.
- Excelente escolha.
- Como é o “Cocó Wellington”?
- Envolto em massa folhada, com
pasta de cogumelos frescos e presunto de Parma.
- Vou querer cocó assado
com açafrão, avelãs, mel e água de rosas.
No fim das refeições, os
clientes, sempre exigentes, faziam os reparos.
- O cocó estava óptimo, mas
as avelãs e a água de rosas não estavam no ponto.
- O cocó estava óptimo, mas
a massa folhada não se faz assim.
- O cocó estava óptimo, mas
isto não é molho Gorgonzola.
Nisto, Bill Gates entrava no
restaurante e dizia:
- E uma garrafinha de água destilada
a partir de fezes?
A resposta seria unânime.
- Aaaaargh, que nojo!