Um estudo concluiu que os macacos se reconhecem ao espelho.
Isto abre um grande conjunto de possibilidades.
Imaginem um macaco em frente ao espelho, a pensar que o
cabelo não está muito bem penteado. “Assim, pareço uma macaca. Ou pareço aquele
macaco da árvore 32, que é um bocado maluco. E que não toma banho. E que é do Benfica.”
Um macaco em frente ao espelho, a pensar: “Estou um bocado
gordo, vou ter que cortar nas bananas. Aquilo é bom, até tem potássio, mas é
muito calórico. Pareço um gorila. Para além de que me trava o intestino. Já não
cago há três dias”.
Duas macacas em frente ao espelho.
- Achas que o cabelo me fica melhor assim ou assim?
- Da outra maneira. A primeira. Sim, essa. A Chita fez uma
permanente. Disse-lhe que ficava bem, mas ficou uma merda. Aquela macaca enerva-me. Tem a mania que é boa.
Um casal de macacos ao espelho.
- Já se nota a barriga. – Diz a macaca.
- Sim. É o nosso macaquinho. – Responde o macaco.
- Gostava que ele se chamasse Venâncio. Como o meu avô.
- Eu preferia Roberto, como aquele meu tio que batia nos
gorilas. Quero que o nosso menino seja assim, valente.
Um dos investigadores que conduziram este estudo afirmou que
“normalmente, os macacos não conseguem
reconhecer-se ao espelho, presumivelmente devido à falta de capacidade de
consciência de si próprios”, mas um dos
macacos anteriormente mencionados já comentou.
“Por acaso, tenho um vizinho que sempre revelou uma falta de capacidade
de consciência de si próprio. Pronto, o macaco era limitado, temos que aceitar.
Mas nem por isso deixava de andar bem penteado, o que indiciava que passava
algum tempo em frente ao espelho. Já a macaca dele andava muito arranjada. E
tinha boa capacidade de consciência de si própria. Tinha era pouca
auto-estima.”
O mesmo macaco acrescentou que espera pelo dia em que um estudo conclua que os macacos sabem tirar selfies, mas são fracos a fotografar paisagens.