O ano de 2015 vai ter um segundo
a mais. Isto porque o International Earth Rotation Service calculou que esse
segundo será fundamental para que não haja discrepância entre o Tempo Atómico
Internacional (dado pelos relógios atómicos) e o tempo astronómico (dado pelos
gajos que leem o futuro nos astros). Mentira, eu queria dizer “tempo dado pelos próprios astros”.
Que o resto do Mundo tenha mais
um segundo, até acredito. Em Portugal, vai ser mais complicado. Isto porque vai
ser necessária uma justificação desse segundo, por parte de meia dúzia de
departamentos de Física das nossas universidades. Depois de um intenso debate,
com direito a uma edição do programa “Prós e Contras”, em que as pessoas vão
aplaudir ambas as partes, de cinco em cinco minutos, vai surgir uma decisão:
enviar a decisão para a Assembleia da República.
Os partidos não vão chegar a
acordo, porque uns vão querer decidir, outros vão querer um referendo. Feitas
as contas, vão impedir que o ano tenha mais um segundo.
Perante esta decisão, algum
deputado vai acabar por enviar a questão para o Tribunal Constitucional. Os
juízes desta instância vão ratificar o segundo a mais, mas a questão não fica
por aqui.
O segundo terá que entrar em
vigor, mas algum funcionário público vai enviar a questão ao chefe do
departamento, que a vai remeter para o director regional, que a vai remeter
para o director-geral, que a vai remeter para o ministro da tutela.
Este, confuso, vai pedir um
relatório ao Tribunal de Contas. O Tribunal de Contas diz que o segundo está
certo e o Tribunal Constitucional pergunta se vai ter que se chatear.
Um requerimento especial do
ministro vai ser enviado ao director-geral, que o vai passar ao director
regional, que o vai passar ao chefe do departamento, que o vai passar ao
funcionário. Este vai dizer que com ele não há maroscas, o pedido fica com a
senha 153 e ele ainda vai no utente com a senha 98.
O segundo a mais acaba por entrar
em vigor, estamos já em 2017.
Medina Carreira vai comentar: “Estamos
mais atrasados em relação à Europa”.