Luoyang é uma cidade chinesa onde
é utilizado um método pouco convencional de obtenção de energia: icineração de
notas que já estão fora de circulação. Uma investigação do Texto Incompleto
permitiu descobrir que houve um longo processo, durante o qual foram testadas
várias formas de produzir energia, até ser descoberta esta técnica.
Esta fase até começou bem. Dava
para alimentar a cidade e vender alguma energia à cidade vizinha. Depois,
acabou o Verão e o pessoal começou a desleixar-se, a não querer saber se tinha
mais um bocado de barriga, e começou a ficar com preguiça. Em pouco tempo,
apenas duas pessoas corriam nas passadeiras. E só para provar que, mantendo
aquele movimento infinitamente, uma atrás da outra, nunca iriam colidir.
Segunda fase: todos os habitantes
davam um salto, às 10h30 e às 18h30
Nunca chegou a correr bem: o
pessoal tinha os relógios dessincronizados. O que acabou por provocar vários
terramotos, tanto em Luoyang como nas cidades vizinhas. Gerou energia, mas
gerou mais estragos.
Terceira fase: tudo a dançar
kizomba, às 10h30 e às 18h30
Esta técnica foi a que mais
produziu calor, mas teve que ser abandonada, porque produziu, sobretudo, muitos
bebés. Este pessoal asiático, pouco habituado à sensualidade das danças
africanas, reproduziu-se desenfreadamente. Os responsáveis políticos da cidade
fizeram as contas: mais energia, mas mais povo para aquecer, se calhar, não
compensava.
Quarta fase: toda a gente fazia
um churrasco ao mesmo tempo
Esta técnica até teve algum ganho
energético, mas foi desastrosa para a saúde pública. Os autocarros e as
carruagens do metro tiveram que ser aumentadas, porque todas as pessoas ficaram
gordas. Gastava-se imensa gasolina nos transportes. Tiveram que esperar pelo
Verão, para que toda a gente voltasse às passadeiras.
Um dia, um líder local,
multimilionário, vinha bêbado pela rua e começou a queimar notas, virado para
um bar, para mostrar que era muito rico. Estava uma noite de Inverno e algumas
pessoas aproximaram-se da fogueira, por causa do calor.
- E se usássemos notas para
produzir calor? – Perguntou um gajo.
- Ei, pois é, queimávamos notas
velhas. – Respondeu uma mulher.
- Eu estava a pensar em usar as
notas para comprar aquecedores, mas tiveste uma boa ideia. – Respondeu o gajo.
Hoje, o método é um sucesso. Mas ainda
há duas pessoas nas passadeiras, a tentarem provar que não vão colidir, mesmo
que corram para sempre.