As mulheres querem
ser mães porque a Natureza as programou para tal. Querem passar pela
extraordinária experiência de ter, dentro do seu corpo, uma nova vida a desenvolver-se.
Querem ter o bebé no colo, querem aquela cumplicidade inquebrável entre mãe e filho.
Querem ser mães, ponto.
Um gajo quer ter
filhos para ter uma boa desculpa para voltar a comprar brinquedos.
Ontem estive
numa loja de brinquedos, para comprar a prenda de um sobrinho e, tal como tinha
decidido, procurei brinquedos da Lego.
No momento em que
entrei na respectiva secção, a minha vida mudou. Apeteceu-me comprar todos os
legos, ir para uma ilha deserta e passar o resto da vida a construir naves e
carros de Lego.
Claro que esta ideia
é estúpida: se fosse para uma ilha deserta, deixaria de poder voltar a comprar
Lego.
Fiquei a pensar que
o Mundo seria um lugar mais agradável se todas as pessoas brincassem com Lego. Primeiro,
porque todos teríamos com quem construir cidades e castelos. Depois, porque as
pessoas teriam menos stress.
Imaginem o
Presidente dos Estados Unidos, no meio de uma reunião de crise, a dizer: “Meus
senhores, sei que temos mísseis apontados a Washington, Nova Iorque e Los
Angeles, mas já combinei com o Presidente da Rússia e não vai haver lançamento
durante o dia de hoje, porque vamos fazer uma competição de construção em Lego”.
O Mundo teria menos
problemas.
Um Primeiro-Ministro
revelaria que duas grandes obras tinham sido canceladas, por falta de verbas,
mas acrescentaria: “Nem tudo está perdido, acabámos de comprar vinte mil baldes
de Lego, pelo que haverá sempre algo para construir”.
O Mundo teria menos
problemas.
O presidente de uma empresa
gigante, depois de um dia de queda na bolsa, reunia com a administração e dizia:
“Pessoal, temos um assunto muito importante para discutir. Preciso de tomar uma
decisão crítica. Não sei se construo, em Lego, o carro do Batman ou uma nave do
Star Wars. E não saio desta sala enquanto não houver uma decisão”.
O Mundo teria menos
problemas.
Talvez o Mundo
tivesse um problema, se o Lego sempre tivesse existido: Leonardo Da Vinci,
Galileu, Einstein ou Salvador Dalí não teriam tido tempo para revolucionar a
Ciência e a Arte.
Mas teriam feito
umas casas bem fixes. Ou naves, no caso de Da Vinci. Ou coisas, no caso de
Dalí.