Uma das características mais
comuns, entre os utilizadores do iPhone, é a dependência do carregador. Um
utilizador deste tipo de telefone precisa tanto do carregador como o próprio
telefone. Tal fica a dever-se a dois factos: a bateria do iPhone dura 17
minutos e um carregador compatível é mais raro do que uma trufa.
Aliás, se é verdade que existem porcos
treinados para encontrar trufas na floresta, não é menos verdade que já haja quem os treine
para encontrarem um carregador.
Conheço um bar onde os clientes
se digladiam por uma ficha, por um carregador, por mais cinco pontos
percentuais de bateria. Pergunto-me como teriam sido alguns momentos da História, se o Iphone existisse.
Construção do Muro de Berlim
“Vamos dividir a Alemanha em
duas, que isto está cheio de má vizinhança.” O muro é construído, famílias são
separadas. De repente, uma figura de proa do Governo repara que deixou o seu
carregador do outro lado. Muro abaixo e, em minutos, uma só Alemanha, famílias
reunidas, bateria a carregar.
Ida à Lua
Milhões de dólares investidos no
programa espacial, vaivém lançado com sucesso. Neil Armstrong pega no iPhone e
nota que não tem bateria. Pede um carregador a Buzz Aldrin e fica a saber que este
também não tem nenhum. Missão abortada, trajectória invertida e vaivém de
regresso. Ao enfrentar os jornalistas, Armstrong justifica-se: “A Lua pode
esperar, estou com 3% de bateria”.
Crise do petróleo de 1973
A Organização dos Países
Produtores de Petróleo supervaloriza o “ouro negro”. A economia mundial pode
colapsar. Porém, durante uma cimeira que se previa inconclusiva, um governante
de um daqueles países está prestes a ficar sem bateria no iPhone. Pede a um
assessor para lhe trazer um carregador. “Não temos carregadores.” O pânico
instala-se e, rapidamente, há um acordo para baixar o preço, de uma vez, porque
os telefones estão com uma média de 8% de bateria e é preciso ir carregá-los. A
economia mundial tem uma segunda oportunidade.
Golo de Maradona à Inglaterra, no
Mundial de 1986
No Estádio Azteca, na Cidade do
México, um argentino filma o jogo com o seu iPhone. Diego Maradona recebe a
bola no meio-campo, faz uma rotação e arranca, deixando dois adversários para
trás. Até à grande área, deixa mais dois, enfrenta o guarda-redes e tira-o do
caminho. O iPhone desliga-se, sem bateria, e o golo não é filmado. Depois desse
dia, o adepto argentino entra numa espiral descendente, pela dependência do
carregador. Nunca mais consegue sair de casa, com medo de ficar sem bateria.
E se o Batman tivesse um iPhone?
O Homem-Morcego vai na Batnave
até ao centro de Gotham City, aterra no topo de um arranha-céus, desce na batcorda
até à rua, entra no batmóvel, persegue um grupo de bandidos até um armazém,
entra sem ninguém dar por ele e neutraliza todos os criminosos. Todos, menos
um, porque no momento decisivo, pega no iPhone, para chamar a polícia, nota que
está sem bateria, procura o batcarregador, mas não o tem consigo. Volta rapidamente
ao carro, procura o carregador de ligar no isqueiro, mas nem esse traz. Volta
para casa e, por uma noite, o crime vence em Gotham.