Um homem gastou 64 mil euros,
mais coisa, menos coisa, em 99 iPhone 6,
para oferecer à namorada, como pedido de casamento. Ela recusou o pedido.
Este texto poderia ficar por
aqui. Duas linhas seriam suficientes para garantir a total hilariedade do tema.
Tudo o que eu escrever, daqui por diante, vai estragar o momento. Mesmo assim,
vou fazê-lo.
O “sortudo” é informático. E isso
diz muita coisa. “Quero pedir a minha namorada em casamento. O que faço?
Dou-lhe um anel? Organizo um jantar romântico e faço-lhe uma surpresa? Levo-a a
passar o fim-de-semana a um sítio bonito? Naaa, vou escrever-lhe um programa de
computador em C++ ou em Java a dizer-lhe como gosto dela. Uma espécie de jogo
em que ela tem que percorrer várias fases, todas divertidas, até chegar ao
pedido. Hmmm… isso dá muito trabalho. Vou juntar dinheiro equivalente a 17
salários e vou oferecer-lhe 99 iPhones”.
Ela disse “Não” e toda a gente
ficou a pensar “Que insensível!”. Calma, é preciso conhecer as razões dela. O
“Texto Incompleto” conseguiu uma entrevista exclusiva com a mulher.
- Por que motivo recusou o
pedido?
- Ele sabe que eu detesto
telefones brancos. Não podia ter falhado nisso.
- Mas recusou só pela cor?
- Sim, porque assim o pedido não
foi perfeito. Para além disso, gosto do meu iPhone 5 e não sei se quero um 6.
Ainda não estou segura da fiabilidade do aparelho.
- O facto de ele ter investido o
equivalente a de 17 meses de salário neste pedido não contou?
- Tenho uma amiga cujo namorado
nem um salário gastou, mas ofereceu-lhe um bonsai em forma de coração. Isso
sim, é amor. Para além disso, deu-lhe um anel, um pouco piroso, mas valeu pelo
gesto.
- O seu namorado perdeu a
hipótese de casar consigo?
- Não. Se ele me escrever um
programa de computador em C++ ou em Java a dizer-me como gosta de mim, talvez
tenha uma hipótese.
- Um programa de computador?
- Sim. Uma espécie de jogo em que
eu tenha que percorrer várias fases, todas divertidas, até chegar ao pedido. Isso
sim, é ser criativo, é fazer algo para mim. E não comprar-me com iPhones.
- Só para terminar: sabe o que
vai ele fazer aos iPhones?
- Sei. Devolvê-los na loja e
oferecer-me um Samsung. Disse-lhe que estou curiosa para experimentar o sistema
Android.
- Mas isso não é comprá-la com um
Samsung?
- Não, porque eu não pedi. Só sugeri.