Sempre que uma entrevista
televisiva acaba, entrevistador e entrevistado trocam algumas palavras,
enquanto a imagem ainda nos mostra o estúdio, antes de passar à publicidade ou
ao programa seguinte. Sempre me perguntei de que raio eles falavam, todos
sorridentes. Pensei em algumas hipóteses.
Entrevista ao Primeiro-Ministro
São anunciados cortes na despesa
do Estado e um aumento de impostos. No fim da entrevista, o Primeiro-Ministro
dirige-se ao jornalista. “Sabe, ontem experimentei uma receita de frango
bastante boa. É um bocado gourmet, porque fiquei com fome e tive que comer uma
sande de presunto, no fim, mas tem a sua piada.”
Aqui, podia ser ao contrário. O
Primeiro-Ministro anunciava, em primeira mão, a receita de frango. Depois, no
fim da entrevista, dizia ao jornalista o seguinte: “Sabe, vou aumentar os
impostos. Largo”.
Entrevista a um treinador de
futebol
Um treinador que foi despedido
fala sobre os problemas existentes num grande clube. Um verdadeiro escândalo,
com problemas entre os jogadores e directores que desestabilizam a equipa. No
fim diz: “Mas, lixado, lixado, é o nosso Primeiro-Ministro, que vai aumentar os
impostos. Isso e uma dor que tenho numa perna que não me deixa em paz”.
Entrevista a um empresário
Vai comprar dez empresas, mais
Júpiter e Saturno. No fim, diz: “Não conhece ninguém que queira comprar um T3
no centro de Lisboa? É bastante jeitoso. Só estou a vender porque o dinheiro
dava-me jeito”.
Entrevista ao dono de um banco
São reveladas várias falcatruas
que quase levaram o banco à falência. No fim, o dono do banco diz: “É como
aquele penalty no jogo do Benfica. Um escândalo!”.
Um ditador
Declara guerra a um país vizinho.
Usará armas nucleares, químicas, biológicas, bem como o Son Guku. No fim, diz
que está com pressa, porque vai jogar FIFA’15 online, contra o Presidente do
país vizinho.
Outra forte hipótese é a que me
sugere que as entrevistas estão combinadas e, no fim, entrevistador e
entrevistado conversam sobre o decurso da mesma.
- Acho que correu bem. – Afirma o
entrevistado.
- Podia ter sido mais claro. É
que o Son Goku toda a gente conhece. Mas que raio são armas químicas? –
Pergunta o entrevistador.
Seja como for, ninguém me tira da
ideia: a parte boa de uma entrevista nunca chega ao público.