Uma das palavras mais em voga, nos dias de hoje, é “premium”.
Na televisão, há canais “premium”. Há serviços “premium” por todo o lado. Há
cartões “premium”. Há gins “premium”, águas “premium”. Até já me falaram em Coca-cola
“premium”.
Esta realidade sugeriu-me que o conceito poderia ser
aplicado, com sucesso, às pessoas.
Pessoas “premium”.
Imaginem que tinham um
amigo que, embora fosse boa pessoa, era muito chato. Vocês ligavam para uma
linha de apoio qualquer (existem aos montes) e pediam uma substituição do
amigo. Como é óbvio, este serviço implicaria um custo, uma vez que estariam a
fazer um “upgrade”: passar de um amigo normal, aborrecido, para um “premium”,
que seria quase tão espectacular como o Chuck Norris.
Esse amigo, para além de não ser chato, perceberia imenso de
mulheres, futebol, carros e videojogos (afinal, os assuntos que realmente importam).
Saberia os números de telefone das miúdas giras, apresentá-las-ia, sem se
intrometer, depois, no desenrolar da nossa interacção com elas. Seria do nosso clube (e isto é
muito importante). Seria, verdadeiramente, “premium”.
Mas o conceito não termina aqui. Íamos a uma repartição
pública e éramos atendidos por uma funcionária antipática e pouco competente.
Ligaríamos para a linha de apoio e pediríamos um “upgrade”. Passaríamos a ser
atendidos por uma funcionária muito bonita (não que isto seja determinante, é
apenas um extra…), simpática e muito rápida no desempenho das tarefas. Teria, também,
wi-fi incorporado, para podermos ir à net enquanto ela tratava da papelada. Seria
uma espécie de “Robocop” da função pública.
Mas com mamas.
Grandes.
No fundo, o conceito “premium” divide as coisas entre as
categorias “espectacular” e “é o que se pode arranjar, se não gostas,
desenrasca-te, quem dá o que tem, a mais não é obrigado, embora isto não seja o que eu tenho, porque podes escolher 'premium' e pagar como deve ser”. As companhias de aviação já descobriram isto há muito tempo. O conceito
ganha, agora, força noutras áreas.
Mesmo no mundo dos blogues: o leitor pode sempre procurar um
“premium”, em vez de estar aqui a ler isto. É o que eu faço.
Agora que penso nisso, se o meu blogue não é “premium”,
então os meus leitores são-no, uma vez que insistem em voltar aqui.
Isso é um privilégio. Sobretudo, porque não paguei nada por
leitores deste calibre. Pode ser uma promoção dos primeiros seis meses. Daquelas que servem para um gajo, depois, não querer outra coisa.