Nos primórdios da
nossa espécie, as divergências resolviam-se à chapada. No tempo dos cavaleiros,
as divergências resolviam-se com uma espada. No tempo dos cowboys, era com uma
pistola. Hoje, existem armas de destruição massiva prontas a ser usadas.
Como já deu para
perceber, por esta sequência, que isto vai acabar mal, proponho uma nova forma
de actuar. Seja em conflitos pessoas ou entre países, o ideal seria resolver
tudo num jogo de xadrez.
Logo a começar, iria
melhorar a capacidade de raciocínio da generalidade da população. Estão a ver
aquele ser rudimentar, incapaz de articular uma frase com conteúdo, que passa
mais tempo a coçar os testículos do que a processar informação, a resolver um
atrito com uma “abertura de dois cavalos”, à qual o seu adversário responderia
com uma “defesa francesa”.
Imaginem dois gajos
bêbados que se chateiam numa discoteca. Em vez de saírem para a rua e andarem à
chapada, combinam um jogo de xadrez para o dia seguinte. E vão passar oito
horas a resolver a contenda, em vez de dois minutos de pancadaria em que se perderia
sangue e alguns dentes.
Imaginem que a Coreia
do Norte decidia atacar todos os países do Mundo, excepto a China, Cuba, o Laos
e o Vietname (no fundo, os países preferidos do Partido Comunista Português). Em
vez de desatar a lançar mísseis para todo o lado, marcava vários jogos de
xadrez.
Para aumentar a
espectacularidade daquela espécie de guerra, os jogos seriam transmitidos na
televisão. Claro que teríamos que adaptar o jogo: o jogador da Coreia do Norte,
uma vez que era comunista, não tinha rei nem rainha, só tinha peões e cavalos.
No futebol, poderia
ser uma forma de desempate. Em vez dos penalties, que toda a gente diz que são uma
lotaria, colocaríamos os dois treinadores numa partida de xadrez. Claro que José
Mourinho conseguiria ter peças super-motivadas e
conseguiria transformar peças de damas em peças de xadrez. Já Jorge Jesus passaria
o tempo todo a gritar com as peças e a chamar-lhes nomes.
Para isto resultar,
teria que ser implementado nas escolas. Dois miúdos que se chateassem já não
andariam à chapada no intervalo ou às 18h30 no portão da escola. Iriam para uma
sala, jogar xadrez.
Para além de esta prática diminuir a violência, teria a vantagem de, pela concentração que o jogo
exige, ajudar a calar aquelas pessoas que, em discussões, dizem o dobro das
asneiras que costumam dizer em conversas tranquilas.
Acho que esta medida
poderia tornar o Mundo melhor. Quem não concorda merecia duas chapadas.