sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Há coisas que a gente não sabe

Quanto ao domínio de diversas matérias, há três tipos de pessoas: as que sabem muito, as que não sabem nada e as que sabem como algo é difícil. Passo a explicar.

Parte da magia das conversas de café está em acreditarmos que somos especialistas em diversas matérias. Pois bem, há sempre um caramelo que estraga esta magia, ao mostrar como as coisas são difíceis. Vou dar alguns exemplos.

Política
“Estes gajos prometem uma coisa e depois fazem outra.”
"O trabalho deles não é fácil. Eles são sempre apanhados de surpresa pelas contas aldrabadas. Os políticos fazem o melhor. Há coisas que a gente não sabe."

Economia
“Estes gajos dos bancos só fazem trafulhices.”
“O trabalho deles não é fácil. Eles trabalham com indicadores que podem ser enganadores e o negócio deles é muito complexo. Os banqueiros fazem o melhor que podem. Há coisas que a gente não sabe.”

Construção civil
“Este prédio fica horrível, nesta rua.”
"O trabalho deles não é fácil. Às vezes, uma coisa pode ficar bem no projecto, mas depois há imprevistos no terreno que dificultam a construção, tais como a resistência dos materiais, a humidade ou o movimento de translacção de Saturno. Há coisas que a gente não sabe."

Futebol
“Este treinador é um nabo.”
“O trabalho deles não é fácil. Eles é que treinam com os jogadores, durante a semana. Quando escolhem a equipa, pensam sempre que aquela é a melhor. Há coisas que a gente não sabe.”

Gastronomia
"A comida está uma merda."
"Pois está."

Calma, o que ele realmente diz é: “O trabalho deles não é fácil. Basta falhar uma quantidade de um ingrediente e a comida não fica igual. Há coisas que a gente não sabe.”

Sentido da Vida
“A vida é dura.”
“Não é fácil. Um planeta com sete mil milhões de pessoas tem sempre complicações. Há coisas que a gente não sabe.”

O que quer que digas, este teu amigo vai tentar justificar com a dificuldade da vida, com a inevitabilidade da lei da gravidade ou com a evolução dos títulos na bolsa de Tóquio.

Há sempre uma coisa que a gente não sabe: que aquele gajo é assim. Se soubéssemos, não teríamos começado nenhuma conversa com ele.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Salvem os meteorologistas

Sou um defensor dos meteorologistas. Toda a gente os ataca, sem motivo. Parecem os políticos ou os árbitros de futebol.

Não parecem nada. Os meteorologistas sabem o que fazem.

As pessoas passam a vida a queixar-se, sem razão. Eles (e vou usar a expressão “eles” com base em clássicos como “eles dão chuva para amanhã”) preveem 32 graus. Verificam-se 30 e toda a gente reclama. Eles preveem chuva durante a manhã. Chove durante a tarde e toda a gente reclama.

Eles preveem vento fraco a moderado e verifica-se vento forte. A única pessoa do Mundo que sabe distinguir, com precisão, vento moderado de vento forte, reclama.

Eles dão-se ao trabalho de prever o estado do tempo para dez dias. Basta falharem uma manhã e já há quem os queira mandar para a fogueira. Num dia de sol porque, com chuva, a fogueira apagar-se-ia.

Eles analisam dados complexos e ajudam-nos a escolher a roupa para amanhã. (Isto foi só para enganar, eu escolho a roupa de manhã, nunca na noite anterior.)

E se, noutras profissões, houvesse o mesmo grau de acerto dos meteorologistas? O Mundo seria um lugar melhor.

Os políticos cumpririam a maior parte das promessas. As obras públicas não teriam derrapagens financeiras de 500%. O treinador da nossa equipa de futebol acertaria na escolha dos jogadores. Nós acertaríamos nas mulheres com quem ter uma relação. Elas acertariam nos homens adequados.

Com uma vassoura.

Não teríamos ido àquele restaurante “gourmet”, pagar muito e comer pouco. Não teríamos acreditado naquela mensagem a dizer que tínhamos ganho 80 milhões de euros, uma ilha no Dubai e o carro do Batman, só tendo que ligar para um número de valor híper-acrescentado para reclamar o prémio.

Atenção: isto nunca me aconteceu.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Desportos interessantes

O Mundial acabou há poucas semanas e a época de futebol está quase a começar. Para que não pensem que sou um daqueles fanáticos que só pensam em futebol (já basta eu ser, escusam de saber isso através deste blogue), vou falar de outros temas. Bioquímica, por exemplo. Estava a brincar. Eu queria falar sobre dança contemporânea. Estava a brincar, outra vez. Vou falar um pouco sobre outros desportos que despertam a minha curiosidade.

Basebol
O basebol tem regras tão complexas que todos os árbitros são doutorados em Direito. Uma vez, tentei ver um jogo de basebol. Depois, mudei para algo mais simples: um documentário sobre aprendizagem de Islandês

Basquetebol
É injusto dizer que no basquetebol não há espaço para pessoas de baixa estatura. Se juntarem várias, na posição certa, podem fazer um excelente banco para os suplentes se sentarem.

Voleibol
Modalidade de uma beleza assoberbante. Há quem diga que existe a vertente masculina deste jogo, mas não posso confirmar.

Ténis
Única hipótese de termos, na televisão, duas miúdas giras a gemer, durante muito tempo, sem que pensem que estamos a ver pornografia.

MMA (Modalidade que combina várias artes marciais e que é praticada num octógono com rede à volta)
Este é um desporto em que um atleta pode ficar longos minutos, no chão, abraçado ao adversário, com os genitais junto do rosto deste, sem que ninguém ache estranho. Assistir a este desporto é extraordinariamente relaxante. Não porque transmita uma sensação de paz, mas porque quando não podemos bater em alguém, ficamos felizes só por ver alguém a fazê-lo. É a mesma lógica da pornografia. Nos desportos de combate, pode haver KO muito cedo, o que faz com que haja quem pague balúrdios por algo que pode durar menos de um minuto. É a vida, nos bordéis acontece o mesmo.

Curling (Desporto praticado no gelo e no qual um dos atletas parece varrer o chão)
Uma mistura de patinagem, jogo da malha e faxina de casa. Mas sem as miúdas giras da patinagem, os velhotes divertidos da malha e o pó que me faz espirrar.

Ciclismo
O ciclismo é emocionante. Gajos a pedalar, durante muito tempo. Depois aparecem miúdas mesmo giras. Esperem: estou a confundir com as aulas de “cycling”, no ginásio.

Podia enumerar outros desportos. Mas vai dar futebol na televisão.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Afinal, somos o melhor país do Mundo?

Não sei se o leitor sente o mesmo, mas começo a ficar confuso com aquelas listas de melhores coisas do Mundo que envolvem Portugal. Nunca repararam? “A melhor praia do Mundo é portuguesa.” “Praia portuguesa entre as 25 melhores do Mundo.” “Portugal é o melhor destino de férias de 2014.” “Melhor destino de surf é Portugal.”

A sério: afinal, somos o quê? Em que lugar estamos? Somos mesmo o melhor destino? Ou o segundo? Ou o 15.º? E as praias? São as melhores?

Devia haver um consenso, nesta matéria. É como no BES: deviam decidir se aquilo vale a pena ou não. E depois comunicavam alguma coisa palpável. É como no Benfica: deviam ter dito logo quantos jogadores iam sair. É como aquela miúda que não nos dá grande bola: devia dizer-nos se temos hipótese, para podermos saber o que fazer.

A verdade é que, a seguir ao sentido da vida, a questão que mais inquieta os portugueses é: quando acabam as pilhas da Cristina Ferreira?

Não, não é esta. É a seguinte: somos ou não o melhor destino de férias do Mundo?

A pensar nesta questão, investiguei outros aspectos em que podemos aparecer num top qualquer, organizado por um jornal ou uma revista de outro país.

Política
Só agora Portugal foi superado pelo Brasil no primeiro lugar do top de países que hipotecam o seu futuro para organizar grandes eventos internacionais.

Economia
Entre os “bancos maus” da Europa, o BES é o 3.º mais fofinho.

Cultura
Quim Barreiros foi considerado o melhor poeta do Mundo a falar de obscenidades por código. Portugal tem, entre os “Toys” de todo o Mundo, aquele que canta melhor.

Desporto
Oito em cada dez condutores portugueses comporta-se como se estivesse num grande prémio de Fórmula 1. Destes, metade tem um desfecho típico de um circuito de carrinhos de choque.

Gastronomia
No top-10 das melhores papas de sarrabulho da Via Láctea, todas são portuguesas. O facto de só se cozinhar este prato em Portugal pode ter contribuído decisivamente para este resultado.

Sociedade
Portugal é o país do Mundo com mais pessoas que acham que qualidade de vida é tirar uma fotografia aos próprios pés, na praia. Portugal é o 5.º país do Mundo em que mais pessoas destruiriam o planeta, para poderem salvar o seu clube de futebol.

Com isto, espero ter aumentado a confusão. Afinal, em que lugar estamos? E, mais importante, essa classificação foi por culpa do árbitro?

Independentemente da dúvida acerca do lugar que ocupamos numa determinada tabela, o importante é que não faltará muito tempo para outro jornal ou outra revista nos colocar num top qualquer. No fundo, é como sair à noite: às vezes, acham-nos piada, outras vezes, não.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Os condutores da nossa paixão

O Governo Britânico anunciou que os carros sem condutor vão poder ser testados no Reino Unido, a partir de Janeiro de 2015. Se houver ideias de fazer o mesmo em Portugal, e para que não haja um choque na população, ao passar de carros com condutor para carros sem condutor, eu propunha uma transição com robôs. Como é evidente, os robôs teriam que reproduzir fielmente alguns estilos de condução, que passo a elencar.

O Filósofo
Pára em qualquer lado. Pode ter oito carros atrás dele, mais o camião do lixo e um navio de carga, se ele decidir que deve parar ali, para reflectir sobre teorias políticas ou epistemológicas, sobre o formalismo ou sobre o onze do Benfica, ele pára o carro. Não expresses o teu desagrado com ele: quem tem sempre razão não admite correcções. Estes condutores são fundamentais. Para a Filosofia, não para a estrada.

O “Flash”
Conduz a grande velocidade e ultrapassa pela esquerda, pela direita, por cima, por baixo e pelo hiperespaço. Arrisca a vida dele e dos outros por míseros segundos. Depois, encontra-lo no semáforo, ao teu lado. Olhas para ele e pensas: “Estúpido”. Ele não pensa, porque não consegue.

O Geómetra
Tu passas meia hora à procura de estacionamento, ele estaciona dentro da casota de um cão. Num galinheiro. No bolso do casaco. Em último caso, em cima do passeio. Nunca, mas nunca, deixa o carro bem estacionado. Tu procuras espaço, ele rouba. Tu cumpres a lei, ele cospe-lhe.

O “Dalai Lama”
Conduz a uma média de 15 quilómetros por hora. Pergunta, com frequência, duas coisas: “Qual é o sentido da vida?” e “Estou a conduzir?”.

O “Che Guevara”
Tirando ele, nada está bem: a estrada está mal feita, os semáforos estão mal posicionados, a polícia faz caça à multa, os outros condutores são necas. O Mundo é uma merda, para conduzir. Para este condutor, “auto-crítica” é o nome de uma revista de automóveis.

Poderia citar mais tipos, mas se combinarem estas cinco características, de diversas formas, já conseguirão representar 98% dos condutores portugueses.

No mínimo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Aconteceu no supermercado

Entre os 150 lugares mais fascinantes do Mundo, 81 são supermercados. Não, não contei, mas os economistas também não contam muita coisa e depois as surpresas acontecem. Nos países, nos bancos, nas empresas e nas mercearias.

Mas os supermercados são aquele lugar mágico onde tudo acontece. Tudo mesmo: enquanto o leitor lê este texto, está um puto a lamber bacalhaus (um amigo meu jura que o fez, na infância), está um gajo a provar as uvas às escondidas e uma senhora a ler uma revista de ponta a ponta, enquanto espera pela vez de pagar. Como está atenta à leitura, toda a gente lhe passa à frente. Até o gajo das uvas vai passar, quando estiver de barriga cheia. Pode estar a haver sexo desenfreado no armazém, mas só com o acesso às imagens da segurança podemos confirmar. O segurança deve estar a gravar, para pôr na net.

No supermercado, um gajo rude, moderadamente saloio, estaciona o carro de forma a ocupar dois lugares. Caminha pelo meio da via, ainda no parque, olhando com ar de censura para quem passa por ele de carro e tenta contorná-lo.

Chega aos carrinhos e tenta tirá-los sem moeda. Uma ou outra tentativa e pensa “um dia, descubro”. Entra no supermercado e vai com ideia de comprar queijo, charcutaria e um “pack” de minis.

Passa pela secção dos livros de auto-ajuda e fica curioso com os títulos. “Pareça mais inteligente”, “Melhore o seu rendimento no trabalho”, “Melhore a sua vida sexual”, “Física de Partículas para Totós”, “Física de Partículas para Gajos Muito Estúpidos”, “Segredos da cozinha vegetariana”. Neste, ele não pega, porque “comida vegetariana não é de macho”. Ainda assim, traz um livro sobre “Como ficar rico em 500 dias”, escrito por um gajo que, entretanto, faliu.

Passa na zona de materiais de construção e compra uma rebarbadora nova, que a dele “já não dá rendement” (ele diz assim, como se fosse em Francês, para ser mais fixe).

Leva ainda uma bola de futebol do Benfica, para o mais pequeno e, na zona de roupa de senhora, ainda pensa em levar qualquer coisa sensual, para a esposa, mas tem vergonha de escolher.

Encontra um amigo e fala sobre duas ou três questões relevantes de futebol. O tempo passa e dirige-se para a caixa. Tudo isto, sem ter ido buscar queijo, charcutaria e cerveja.

Acaba a tarde no café, a comer uma sande de presunto e a beber uma mini, enquanto lê, atentamente, “Como ficar rico em 500 dias”.

No armazém, a cena de sexo desenfreado termina. Há artigos para repor.

Esta história é fictícia, mas suficientemente verídica.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

A vida em episódios

Está a dar o Super-Homem, na televisão. Está a enervar-me, não porque use as cuecas por cima das calças. Estou farto desse assunto: o homem veste-se como quer. Ainda por cima consegue salvar o Mundo, mais direito lhe dá. É como ser o dono da bola, num jogo de miúdos: podes ser um rebo, mas jogas sempre.

O que me irrita no Super-Homem é o facto de não usar máscara e, mesmo assim, ninguém descobrir a identidade dele. Parece que as pessoas fazem de conta que não viram, como quando falam com alguém que tem ranho a sair do nariz e não avisam.

Mudo para um canal de séries. As séries são o vício do século XXI. Há pessoas tão viciadas em séries que vivem por episódios. Aliás, os episódios das séries não são episódios: são doses. Ministradas à bruta, que é para dar mais moca. Não há finais de temporadas, há inícios de desintoxicação.

Eu gosto da “Guerra dos Tronos”, mas não tenho paciência para esperar um ano pela nova temporada. Decidi avançar para os livros. No fundo, fui como aquelas pessoas que não esperam pelo Ano Novo e dizem “Se não nos virmos antes, bom ano!”. Como se não pudessem dizê-lo a 5, 6, ou a 15 de Janeiro. Eu disse à “Guerra dos Tronos”, “se não nos virmos antes, estarei a ler os livros”. Ganha-se no avanço na história, perde-se nas cenas de sexo.

A “Guerra dos Tronos” tem tantas personagens que devia haver uma temporada, entre duas temporadas, só com as instruções.

Esta série vai demorar tantos anos, que o final, seja ele qual for, vai desiludir. Tal como na série “How I Met Your Mother”. É como quando esperamos duas horas pela comida: pode ser divinal, mas o nosso mau humor vai bloquear-nos o paladar. E tornar-nos uma mistura de urso (pelo apetite) com galinha (pela estupidez).

Detesto séries de investigação criminal. O momento mais emocionante é sempre no fim. Quando aparecem os nomes do realizador, dos argumentistas e por aí.

Se o Chuck Norris entrasse nas séries de investigação criminal, cada episódio tinha oito segundos. Em alguns, nem chegava a haver crime. Noutros, nem chegava a haver episódio.

Última hipótese à televisão: um concurso de cantores. Aquele tipo de programa em que muitos dos aspirantes a cantores têm respeitáveis atributos. Até começarem a cantar.

Nos concursos de cantores, todos querem ser o Frank Sinatra. A maioria não consegue melhor do que aquele tio que cantou, bêbado, o “My Way” no casamento de um amigo nosso. E o tio tem mais piada. Sobretudo porque nós também estávamos bêbados.

Eu adoro estes programas. Comparados com tortura, são excelentes. Estava a mentir: nunca damos uma última oportunidade à televisão. É como quando bebemos demasiado: é sempre a última vez.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Dez coisas a evitar num encontro

Uma senhora chamada Natasha Devon, que estava solteira havia 18 meses, aceitou o conselho das amigas e inscreveu-se num site de encontros. Depois de ter conhecido cerca de 60 homens, com idades compreendidas entre os 23 e os 65 anos, resolveu escrever um artigo, no “The Telegraph”, acerca dos dez erros mais comuns cometidos pelos homens em encontros. Vou comentar a lista, erro por erro.

1. Não ter um plano.
OK, um gajo não ter um plano é mau. Mas, meninas, tentem ajudar no processo: não se comportem como se fosse igual levar-vos a um restaurante gourmet, a uma churrasqueira ou a uma barraca de cachorros. Porque, se é, mais vale avançar logo para o sexo.

2. Perguntar: “Como é que uma rapariga bonita como tu está solteira?”
Em contrapartida, meninas, não perguntem no que nós reparámos em vocês, quando vos conhecemos. Vamos ter que responder “o olhar” ou “o sorriso” e é mentira: foi nas mamas ou no rabo.

3. Admitir que está nervoso
Já as mulheres podem fingir que estão nervosas. Só porque ficam fofas.

4. Agir como se não se importasse
É mais foleiro do que não nos importarmos mesmo. Porque, ao contrário do que acontece com as mulheres, nós somos péssimos a fingir.

5. Brincar com o telefone
É como brincar com a maquilhagem.

6. Fazer uma pergunta e, assim que a resposta chega, mostrar-se desinteressado
Tradução: devemos evitar fazer perguntas.

7. Dizer: “Conta-me algo sobre ti que ninguém saiba”
Meninas, em compensação, não nos digam “vou contar-te isto, mas olha que não conto a ninguém”. Vão parecer as bandas que dizem que nós somos um público especial: dizem-no a toda a gente.

8. Avaliar o encontro enquanto este ainda está a decorrer
Tudo em nós avalia o encontro enquanto ele decorre. Mas podemos fazê-lo sem o referir. É como quando alguém diz algo constrangedor, num jantar de família: o constrangimento chega, não é preciso dizer nada.

9. Dizer mal de outros encontros em que já esteve
Meninas, nós não queremos saber de outros encontros. Até porque, muitas vezes, nem queremos saber daquele em que estamos.

10. Falar ou perguntar pelo ex
Nem é muito grave, comparado com outras coisas. Como, por exemplo, alguém peidar-se num encontro.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Dez medidas que melhorariam a circulação automóvel*

A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi, que é a forma como alguém de Braga diz “filme” em Inglês) defende que, em caso de acidente entre uma bicicleta e um carro, mesmo que a culpa seja do ciclista, deve ser sempre o automobilista a pagar os estragos e, em consequência, o seu seguro deve ser agravado.

Ora, eu não sei andar de bicicleta mas, em compensação, consigo pensar com alguma facilidade. Por isso, e acreditando que esta ideia conseguiria fazer jurisprudência, vou propor dez medidas vanguardistas.

1) Sempre que alguém bater no meu carro, deve pagar-me, para além da reparação do veículo, umas férias em local à minha escolha, para ressarcir-me do stress causado.

2) Sempre que Júptiter se alinhar com Saturno, eu tenho prioridade sobre todos os veículos deste planeta. Veículos construídos para alienígenas não entram nestas contas.

3) Nos dias pares do mês, posso estacionar em qualquer lugar.

4) Se um ciclista bater no meu carro, só pagarei os estragos se ele adivinhar em que número estou a pensar.

5) Sempre que parar num semáforo que fique em frente a um café, posso ir tomar qualquer coisa, sem que ninguém buzine para eu tirar o carro da via.

6) Em dias de calor, qualquer automobilista que tenha ar condicionado no carro deve dar-me boleia.

7) Quando o meu carro for para o mecânico, todos os proprietários de veículos de alta cilindrada devem deixar-me dar uma volta nos seus carros. A volta poderá durar entre uma e cinco vezes o tempo que o meu carro estiver na oficina.

8) Se eu for capaz de citar, de memória, todas as selecções que venceram o Mundial, desde 1930, fico isento de portagem durante dez anos.

9) Quem me telefonar ou enviar uma mensagem, enquanto eu estiver a conduzir, ficará responsabilizado por qualquer acidente que eu possa ter naquele ano.

10) Se eu for capaz de citar, de memória, todas as equipas que venceram a Liga dos Campeões, desde 1995, nenhuma bomba poderá negar-me gasolina.

*Melhorariam a minha experiência de circulação automóvel.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Arte, como uma cena

Quanto menos se perceber de um determinado tema, mais ele nos parece sofisticado e inacessível. Como, por exemplo, charcutaria ou materiais de isolamento térmico.

Esperem, isto era de outro texto.

Como, por exemplo, Física Quântica. Ou Arte.

Não sei nada sobre Arte. Uma vez, estava a admirar um quadro, numa exposição, quando me vieram avisar de que aquilo era o pano de limpar os pincéis. Mesmo assim, parece que teve boas críticas e foi vendido por 1,5 milhões de euros.

Dizem que foi um recorde mundial, no que diz respeito a panos. O segundo que mais dinheiro rendeu foi o pano que um prestigiado “chef” usava a cozinhar. Foi comprado por 32 euros, no e-Bay, pelo dono de uma tasca de Vila Verde. O pano foi pendurado ao lado de um cachecol do clube da terra.

Ninguém entende um especialista em Arte. Já ouvi um a explicar como se deve preparar uma boa açorda. Quando o ia questionar acerca de uma parte desse processo, disseram-me para estar calado, porque ele estava a analisar um quadro.

Ainda assim, valeu a pena: o quadro era estranho, mas a açorda ficou excelente.

Acho má vontade dizer que não se percebe nada do que dizem os críticos de Arte. Às vezes, conseguimos distinguir expressões comuns, como “Boa noite”.

Gosto de Pintura. Havia um pintor que só desenhava meios quadros. Não, não era propositado: quando acabava o whisky, ele parava de desenhar. Começou a comprar garrafas maiores, mas os quadros continuaram a ficar a meio: a meio do processo, ele caía de bêbado.

Também gosto de Escultura. Cheguei a ver uma escultura gigante feita em caixotes. No início, não percebi, mas explicaram-me que aquilo era tão feio que os caixotes serviam para o escultor se esconder dentro deles.

Era o que eu faria, se fizesse uma escultura tão feia.

A minha arte preferida é a Literatura. Adoro que me contem o fim dos livros. Assim, só tenho que ler metade. Gosto de histórias sem muito romance. Para romantismo, já tenho a pornografia.

Gosto muito dos livros do Saramago. Muita gente critica a sua forma de pontuar. Nunca percebi: eu não leio os pontos.

Aprecio, num livro, as mesmas qualidades que aprecio numa mulher: uma boa lombada.

Peço desculpa, não era isto que queria dizer. Gosto de um livro que me faça pensar e que me surpreenda.

Mas, se puder ter uma boa lombada…

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Tomar banho faz mal à pele

Investigadores da Escola de Enfermagem e Inovação na Saúde da Universidade de Phoenix concluíram que o tempo ideal de sono é de sete horas e não oito, como todos acreditávamos.

Um estudo feito na Universidade da Califórnia concluiu que tomar demasiados banhos pode afectar a nossa pele. Para além disso, não devemos usar água quente, mas sim morna ou fria.

Já que está tudo a ruir à nossa volta, no que diz respeito aos hábitos diários, vou acrescentar algumas conclusões de estudos a que tive acesso, em exclusivo.

Abraçar miúdas extremamente sensuais faz bem à pele
Como elas usam creme hidratante, há grande probabilidade de ficarmos com algum na nossa pele.

A poligamia previne lesões musculares
A existência de vários parceiros sexuais permite uma diversificação da actividade muscular e, como consequência, não surgirão lesões decorrentes de movimentos excessivamente repetidos.

Conduzir depressa aumenta os reflexos
Até um dia.

Coçar as minhas costas previne a artrite
É preciso explicar?

Sair à noite é saudável
Aumenta a nossa adaptabilidade a um meio sem luz solar e onde as coisas se mexem muito. Ou, então, não mexem, tu é que estás bêbado.

Comer muito aumenta a nossa resistência
Nomeadamente, a resistência dos músculos faciais e das paredes do estômago. Ah, já me esquecia: do intestino também.

Comer "Pica no Chão" é bom para o sistema imunitário
Uma vez que comemos sangue de frango, e os frangos são animais de pouca higiene, o nosso organismo recebe sangue que está habituado à chafurdice. Ou seja, recebe um forte aliado no combate a infecções.

Ver futebol é quase tão bom como fazer exercício físico
Os níveis de ansiedade disparam, o coração bate mais depressa, queimam-se calorias e reduz-se o colesterol. Tudo isto sem o risco de lesões.

Ler este blogue aumenta a actividade cerebral
Como ninguém percebe e faz um esforço para o conseguir, a actividade cerebral dispara.

Podia continuar, mas vou tomar banho. Rápido, porque faz mal à pele.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O macaco que quis um iPhone

Um macaco com um telemóvel. É esta a história que nos conta uma fotografia, tirada pelo holandês Marsel van Oosten, e que pode vencer o prémio "Wildlife Photographer of the Year".

Antes de mais, pode dar azo a mais uma guerra entre a Apple e a Samsung. A empresa da maçã pode dizer que “até um macaco sabe usar um iPhone”. A empresa sul-coreana pode responder que “só um primata escolheria um iPhone”.

Talvez esta fotografia seja um sinal dos tempos. Talvez o filme “Planeta dos Macacos” seja premonitório: em breve, os macacos usarão telemóvel, computador, tablet e terão blogues. Como este. Os humanos deixarão de ser racionais e tornar-se-ão um pouco mais “primitivos”.

Só falta os macacos cumprirem a parte deles, para este cenário se confirmar.

Um macaco, na água, a brincar com um iPhone. Se pudesse falar, o macaco diria: “Brincar com patinhos de borracha é coisa para humanos”. E acrescentaria: “, Enquanto cuido da minha higiene pessoal, gosto de ir ao Facebook e dizer às macacas que sou gostoso”.

Não percebo como pode ter sido tirada esta fotografia. Um macaco, por ser macaco, não tem menos direito do que um humano a estar sozinho no banho. Se ele quiser tirar uma "selfie", já é algo da esfera da vontade pessoal. Mas desrespeitar a sua privacidade não é correcto.

Um macaco, na água, a brincar com um iPhone. E se ele quisesse fazer como qualquer humano e mostrar a sua vida toda na Internet?

Não teríamos jantares, comida, copos, ginásios, praias e afins. A vida de um macaco é bem mais divertida do que isso: anda nu o dia todo, leva o telemóvel para o banho, sobe às árvores, faz acrobacias, come piolhos de outros macacos e reproduz-se abundantemente. Demasiadas tarefas divertidas para não partilhar.

Um macaco, na água, a brincar com um iPhone. Por outras palavras, um ser irracional e selvagem com uma tecnologia avançada. Eu sei, com essa descrição, podia ser um condutor das nossas estradas.

Não sabemos se o macaco deixou o telemóvel na água ou não. Nunca vamos saber.

Ou, se calhar, vamos: um dia, ele envia-nos um pedido de amizade no Facebook. Uma mulher que aceite sujeita-se a receber uma mensagem a dizer "Sou gostoso".

Mas será um macaco, na água, a brincar com um iPhone. Demasiado engraçado para não partilhar.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Saudades da escola

Tantos anos depois, a escola mantém-se intacta na nossa memória.

Não mantém nada, apenas fica bem dizer isto. Isso e que nos preocupamos com o ambiente. Eu, se me preocupasse com o ambiente, não publicava estes textos. Tu, se te preocupasses com o ambiente, não vias televisão ao fim-se-semana. Nem ouvias Katy Perry.

Falemos da escola, mas vamos dividir isto por disciplinas.

Português
Sempre fui bom na gramática. Não havia advérbios para me descrever. E gostava das obras de José Saramago. Principalmente de “Os Maias”. Ou “Os Incas”, agora não me lembro bem. Era uma história sobre um poeta que assinava com diferentes nomes e que, no fim, descobria o caminho marítimo para o Algarve.

Matemática
Os quadros das aulas de Matemática estavam sempre cheios de escritos imperceptíveis. Eu continuo a achar que aquilo é um código através do qual os matemáticos nos insultam. E depois riem-se. Pelo menos, os matemáticos que nasceram com a capacidade de rir. Ou seja, praí uns sete.

Física
Em Física, calculávamos o tempo que uma bola demorava a atingir o chão, quando lançada do terceiro andar. Em segundos, não sei, mas lembro-me que enquanto ela não chegava ao chão, dava para dar seis cachaços ao gajo da frente.

Química
Uma verdadeira seca: centenas de horas de aula, cálculos e fórmulas, nem uma explosão. 

Ciências da Natureza
A única disciplina em que tínhamos uma boa desculpa para desenhar obscenidades no caderno de um colega. "Professora, estou a estudar o sistema reprodutor."

Inglês/Francês
Não gostava muito de estudar línguas estrangeiras, mas a escolher uma, escolhia o Americano. Mas, como já pensei em emigrar, também gostava de aprender Luxemburguês ou Suíço.

História
Porque é que toda a gente se queixava das aulas de História? Eu não tenho nada a apontar, dos momentos em que estive acordado.

Geografia
Geografia era muito útil, também. Acho que é importante conhecermos alguns países longínquos, como a Amazónia, a Sibéria e o Alasca. Pessoas que não tiveram Geografia, não sabem qual é a capital da cidade do México, por exemplo.

Educação Visual
Em duas horas, passava uma a apagar e meia a afiar o lápis. Cinco minutos para ir buscar o material aos armários, outros tantos para arrumá-lo. Dez minutos a pôr a conversa em dia. Sobravam-me dez para desenhar mas, como não tinha muito jeito, decidia fazer uma pausa. Afinal, a aula era cansativa.

Educação Física
Sempre adorei Educação Física. Se fosse feriado, jogávamos futebol. Se houvesse aula, também. Havia umas bolas maiores, que eram difíceis de chutar. Dizia-se que eram de um jogo chamado “basquetebol”.