segunda-feira, 4 de junho de 2018

A brigada da granola


Estás prestes a comer um hambúrguer. Um a sério, feito de carne de um qualquer bovino minimamente saudável, não de um alien aprisionado num contentor, de onde uma multinacional retira as suas doses individuais de “hambúrguer”. Com pão feito, prepara-te, senta-te, de pão (!!!), não de um composto químico que se destina a dois possíveis usos: fazer “pão” ou vedante para cozinhas. Tudo acompanhado de batatas fritas que não têm tamanha quantidade de sal que te obrigue a demolhá-las três dias antes de as comeres. Estou aqui com coisas: vais comer um hambúrguer artesanal e não de uma qualquer cadeia multinacional.

O teu cérebro já iniciou os preparativos. Sim, porque comer começa antes de comer. O teu cérebro começa a antecipar cenários. É como no sexo: a mente é a primeira a avançar. Quando sentes aquele aperto no estômago, antes de comer algo de que gostas, não sentes um aperto no estômago: sentes o teu estômago a ter uma erecção.

Resumindo, antecipas um cenário de grande prazer. Porém, quando chega o teu hambúrguer, reparas que tens, na tua mesa, um amigo que é um agente da brigada da granola. Se não sabes do que estou a falar, não sei onde tens andado nos últimos dois, três anos.

A brigada da granola é uma força especial de intervenção social. Os seus agentes são recrutados num processo rigoroso, até violento, de entre a nata dos praticantes de ginásio e do Instagram. São pessoas tão saudáveis que não vendem saúde: compram-na, em bidões de cenas estranhas, muito parecidas com as que compras para alimentar o teu periquito.

Esta força de intervenção tem como objectivo eliminar o consumo de comida não saudável, através de acções de sensibilização. Aqui, a palavra “sensibilização” é para ser sublinhada: os agentes da brigada da granola chateiam-te tanto, quando comes entulho, que acabas a chorar, por sentires que a vida não faz sentido.

Na primeira fase de gestação, o agente é só uma pessoa que tomou um rumo saudável na sua vida. Passados dois meses, é um fundamentalista disposto a abater-te, se lhe ofereceres uma batata frita.

Retomemos. Vais dar a primeira dentada no teu hambúrguer e o agente diz “Vais enfardar essas calorias todas?”. Importa explicar que os agentes da brigada da granola contam calorias tão bem quanto um velhinho, numa tasca, conta trunfos a jogar à sueca.

Nesse momento, a tua dentada muda de cenário. Acabaste de trincar uma bota velha (porque se fosse uma bota nova, até nem seria assim tão mau). O cheirinho do hambúrguer passou a ser cheirinho a naftalina (o que nem é mau, porque afastas as traças da tua comida) e um pássaro fez cocó no teu ombro.

Aqui, importa referir que o cocó do pássaro foi obra do acaso, não tendo qualquer relação com o agente da brigada da granola.

Tens duas hipóteses de comer sossegado, na companhia de um agente desta poderosa força de intervenção: ou pedes uma salada ou matas o agente. Aqui, é óbvio o caminho a seguir: se foste ali comer um hambúrguer, não vais pedir uma salada.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Tudo melhora com a preguiça


Aposto que os nossos aparelhos emitem umas ondas hipnotizadoras que o nosso cérebro capta, sem que tenhamos consciência disso. Aposto que isto está num site qualquer manhoso. Daqueles cujos autores, de cada vez que publicam uma “notícia”, dizem “Se calhar, estamos a forçar um bocado, é desta que ninguém vai acreditar”.

Estas ondas reduzem a nossa capacidade crítica, em determinados momentos. Por exemplo: quando temos uma coisa para fazer e ficamos só um bocadinho a retardar o processo, a preguiça deixa-nos mais expostos às ondas e estas tornam tudo muito mais interessante. Tudo se torna uma espécie de revelação, em directo, do sentido da vida.

Um documentário sobre um tipo que colecciona paus de gelado. Um tipo que colecciona paus de gelado estaria votado ao ostracismo e, posteriormente, ao esquecimento. Mas se tivermos algo para fazer, seja estudar ou arrumar a casa, um documentário sobre aquele indivíduo transforma-se numa espécie de mitologia e a história da sua vida passa a ser um exemplo para todos nós.

No processo de retardamento da tarefa agendada, ficamos tão embrenhados na sua história que consideramos, por breves instantes, a possibilidade de começarmos a coleccionar paus de gelado, só para homenageá-lo. Se estivermos no Inverno, equacionamos, inclusivamente, viajar para um país em que seja Verão, só para termos mais gelados à escolha. Com isto, teremos duas vantagens: não só passeamos um bocado, como retardamos ainda mais a tarefa agendada.

Documentários sobre animais são sempre interessantes. Mas, se tivermos algo para fazer, estes documentários passam a ser um filme épico. Pegamos nas pipocas e entramos na história. Eu torço sempre pelas presas, nunca pelos predadores. Um peixinho está no fundo do mar. Os peixinhos no fundo do mar têm sempre aquele ar bué de peixinho, felizes e inocentes. E há um polvo escondido num penedo. Eu começo aos berros “Peixinho, foge, peixinho, está ali um polvo!”. Tudo enquando como pipocas sofregamente.

Nunca resulta. O peixinho continua ali a pairar, bué de peixinho, e o polvo, esse crápula, sai do meio dos penedos e engole o peixinho de uma só vez.

Fico devastado.

Gostava de realizar um documentário em que o peixinho, neste momento, faria dois ou três golpes ao estilo do Steven Seagal e poria o polvo na ordem.

Fazer scroll infinito no Facebook também é muito mais divertido quando temos algo para fazer. Acho que, secretamente, estamos a tentar ir ao fim da Internet. Ou ao princípio do Facebook. “Vou fazer aqui um scroll tão grande que vou descobrir o primeiro post do Facebook”. Aposto que o primeiro post do Facebook é algo do Mark Zuckerberg, tipo “Está aí alguém?”.

Mesmo eu, antes desta crónica, fiz scroll infinito, porque não me apetecia escrever. Destaco uma notícia do “New York Post” sobre vegans que estão a ameaçar de morte talhantes e criadores de gado, no Reino Unido, ao mesmo tempo que vandalizam talhos e quintas.

Noutra altura, eu diria “Que estupidez!”. Mas, como estava num momento de tédio, as ondas deram outra capacidade de percepção ao meu cérebro e fizeram-me perceber que nada faz mais sentido do que tentar travar a morte de animais ameaçando de morte os animais que matam animais.

Vou mais longe: ser vegan é um ponto de passagem entre ser uma pessoa que come a carne que o talhante vende e ser uma pessoa que come a carne do próprio talhante.

Estimado leitor, agora que já perdeu cinco minutos a enfardar umas baboseiras, vá trabalhar.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Comer em equipa

Diz a minha experiência de ir a casamentos que uma correcta celebração do matrimónio não se consegue fazer sem ingerir doses sobre-humanas de comida. É como se houvesse uma competição não oficial para determinar quem é mais amigo dos noivos, só que, em vez de se determinar o vencedor através do recurso a provas de amizade, determina-se através do recurso a provas ininterruptas de camarão, panados, bacalhau e tornedó.

Só é festa a partir do segundo prato: primeiro prato já nós comemos todos os dias. “A Luísa e o Fernando conheceram-se, um dia, e foram construindo um amor alicerçado na compreensão e na partilha, tendo, por isso, decidido unir os seus destinos. Assim sendo, depois deste bacalhau com broa, vamos enfardar tornedó (só duas postinhas) para celebrar o amor!”

A única forma de aproveitar verdadeiramente os prazeres gastronómicos da festa é com trabalho de equipa. Um pouco antes de terminar a cerimónia na igreja, um dos membros da equipa, que aqui será chamado pelo nome de código de “Falcão Um”, irá deslocar-se à quinta, onde se irá mascarar de empregado de mesa, experimentar as entradas e fazer um mapa das mesas, com destaques para os petiscos prioritários e para aqueles que se deverão evitar, não esquecendo os melhores pontos para pousar pratos e copos.

Com esta antecipação, os restantes membros da equipa irão receber a informação detalhada, para que saibam, assim que for declarado aberto o processo de ingestão compulsiva, quais as mesas aonde se devem dirigir primeiramente.

“Falcão Um para Esquadrão, Falcão Um para Esquadrão, panados e chouriça assada prioritários. Marisco em bom estado, podem avançar. Rissóis razoáveis, mas só em último caso. Evitar pataniscas, têm muita batata, pouco bacalhau.”

Com isto, evita-se a chatice de andar a experimentar entradas para se saber o que se deve comer. É que experimentar sem ninguém por perto nem oferece problemas, mas provar entradas com os primos da noiva e os tipos que jogam à bola com o noivo cheios de fome é quase tão arriscado como estar a procurar mantimentos no meio de uma invasão zombie.

Como em todas as equipas, haverá uma mente que coordenará todos os procedimentos. Idealmente, essa pessoa deverá não ser convidada, para que as suas decisões não sejam toldadas pela ingestão de álcool em excesso. Deverá ser alguém com conhecimentos na área da nutrição, mas tendo em conta a quantidade de “bloggers” e “instagrammers” especializados no tema, é seguro afirmar que há mais pessoas a perceber de nutrição do que do código da estrada.

Esse líder da equipa, aqui chamado de “Professor” (em homenagem a todos os que me chateiam a cabeça por eu não ter visto “La Casa de Papel”), vai fazendo a gestão alimentar de cada um. Com recurso àqueles relógios ou pulseiras super-modernos que dizem quantas vezes o nosso coração bate por minuto, e com medidores de açúcar e de álcool no sangue, o “Professor” dirá o que cada um deve comer.

“Falcão seis, já chega de puré de maçã, estás a comprometer a missão. Falcão quatro, estou a receber os teus dados, nem mais um copo de vinho na próxima meia hora, repito, nem mais um copo de vinho na próxima meia hora. Estás a começar a babar-te. Assim não chegas ao baile. Falcão cinco, estás muito bem, se quiseres mais uma posta de bacalhau, podes avançar.”

Também haveria um plano de contingência, para o caso de alguém desrespeitar a estratégia. “Esquadrão, o Falcão Nove acaba de cair, repito, o Falcão Nove acaba de cair. Está a vomitar num vaso. É favor recolhê-lo para a Zona de Extracção, já vai o Carro-Vassoura a caminho.”

Quando a equipa estivesse em risco de retirar, por falta de comida, não faltariam avisos úteis. “Falcão Um chama Esquadrão, Falcão Um chama Esquadrão. Não abandonem já, falta a ceia. Vai haver caldo verde e mini-pregos. Já provei ambos, são apostas seguras.”

Aqueles que ainda estivessem contactáveis, ou que ainda se lembrassem de quem era o Falcão Um, teriam uma última oportunidade para demonstrar amizade.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Se os romanos tivessem internet


Como seria se houvesse internet no tempo dos romanos? Haveria logo uma vantagem enorme: hoje, toda a gente quer tirar uma selfie no Coliseu em ruínas; naquele tempo, daria para fotografá-lo inteiro. Aliás, daria para tirar uma selfie enquanto alguém morria na arena. O que, tanto para o padrão de civilidade da época, como para o padrão Correio da Manhã, é perfeitamente normal. É uma Terça-feira.

Para além disso, no Senado, haveria senadores a mandar postas de pescada no Twitter. “Isto de invadir a Gália vai correr mal” ou “O Cipius Comicus é um humorista de m*rda. Aquela rábula sobre mim não tem piada nenhuma”. O que, para o padrão de civilidade da época, ou para o padrão Trump, é perfeitamente normal. É uma Quinta-feira.

Um general romano chegaria a uma província por conquistar e poderia ter o seguinte diálogo com o representante local:

– Bom dia. Venho conquistar este território.

– Mas ninguém avisou.

– Eu criei um evento no Facebook. Procure aí por “Invasão da Lusitania”.

– Ei, pois é. Vou pôr “Talvez”, não sei se tenho coisas marcadas para hoje.

– Oh amigo, desculpe lá, mas eu enviei um e-mail e tudo.

– Para onde mandou?

– Para lusitania@gmail.com.

– Ei, já não é esse. Agora é geral@lusitania.pt.

– Desculpe lá, mas tenho aqui a tropa toda. Mais de dez mil homens. Não vou para trás de mãos a abanar, agora fazemos a conquista.

– Posso, pelo menos, convocar a malta para a batalha?

– Força, mas só lhe dou até ao fim da tarde.

Entretanto, no grupo de Wattsapp da Lusitania, apareceria a mensagem “Malta, estão aqui os romanos para nos conquistar. Dá para aparecer?”. Suceder-se-iam respostas tais como “Tem que ser hoje?” ou “Hoje tenho jogo de gladiadores, se me magoar não vou poder ir. É muita carga, também preciso de descansar” ou “Não vai dar, esta semana saí todos os dias, a minha mulher já me anda a f*der a cabeça”.

Entretanto, os soldados romanos aproveitariam para procurar no Tripadvisor sítios bons para comer. O mais bem pontuado seria a Taberna Lusitana, com 4.8 pontos, em 2500 avaliações. Surgiriam fotografias de comida, no Instagram, com a hashtag #conquista.

Ao fim da tarde, estariam reunidos os exércitos e apareceriam publicações no Facebook, por parte de soldados de ambas as partes, a dizer “A sentir-se confiante”. A batalha seria sangrenta, mas transmitida num directo do Facebook, os romanos venceriam e começariam a enviar e-mails à Google, para que o Google Maps fosse actualizado: o território passaria a chamar-se “Hispânia” e as ruas também mudariam de nome.

No fim do dia, a Taberna Lusitana mudaria o nome para Taberna Hispânica, mas manteria a pontuação no Tripadvisor.

O Imperador colocaria no Twitter a seguinte mensagem: “Hoje, os lusitanos sentiram a nossa fúria. Eu tinha avisado”. Milhares fariam “Gosto”.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Assaltar para arrendar


O aumento significativo do custo do arrendamento em Portugal, sobretudo nos grandes centros urbanos, e a quantidade de pessoas que viram “La Casa de Papel”, são dois dados independentes, para um observador desatento. Para mim, que acompanho a actualidade com o mesmo interesse com que uma velhinha adorável acompanha os programas da Fátima Lopes, uma coisa é directamente dependente da outra.

Toda a gente diz que vê “La Casa de Papel” porque a história é viciante, porque o plano do assalto é genial, porque não consegue viver sem ouvir o “Bella Ciao” ou porque dois amigos viciados na série ameaçaram entrar no campo da agressão a quem não começasse a ver também. Tudo treta. A malta anda é a estudar para fazer um grande assalto à Casa da Moeda. Uma vez realizado o assalto, os seus executantes não vão comprar ferraris. Nem um avião. Nem uma ilha no Pacífico.

Vão guardar o dinheiro para pagar rendas.

Num futuro não muito distante, algum recém-milionário vai ligar para um potencial arrendador e ter um diálogo semelhante a este:

– Boa tarde. Gostaria de saber o preço daquele apartamento de 16m² que fica numa cave e que não tem casa-de-banho.

– Por mês, são dez mil e quinhentos euros, dois frangos do campo e um dia de trabalho escravo.

– Excelente. Posso trocar o dia de trabalho escravo por mais dois mil euros de renda?

– Negócio fechado. Eu com esses dois mil euros contrato dois escravos e ainda sobra dinheiro.

– Pronto. Pago já 240 meses, só para garantir vaga.

Não digo, com isto, que ter uma ilha no Pacífico não seja uma ideia agradável. Mas poder ter uma casa não é menos agradável, e da forma que está o mercado imobiliário, assaltar a Casa da Moeda nem parece assim tão arriscado, comparado com dormir na rua.

Para além de permitir que sobre algum dinheiro para comer, depois de pagar a renda, assaltar um banco pode ajudar a desenvolver outras competências que serão muito úteis, no futuro, tais como a ocultação de identidade.

Imaginemos que um recém-milionário deseja residir no centro da cidade. Nesse caso, ou anda distraído ou é palerma, uma vez que toda a gente sabe que o centro da cidade é para turistas bué modernos que usam o Airbnb. De forma a contornar este obstáculo, o recém-milionário pode mudar semanalmente de identidade e alugar sempre a mesma casa.

Se o senhorio começar a desconfiar do facto de os sucessivos arrendatários serem muito parecidos, o recém-milionário pode utilizar a desculpa de que são todos primos e que vão passando a palavra entre eles, acerca do conforto das instalações e sobre o facto de até terem espaço suficiente para uma pessoa se deitar.

Claro que nem todos poderão assaltar a Casa da Moeda e, nesse caso, alternativas terão que ser estudadas. Uma delas é aderir à escravatura. Em vez de ter que trabalhar para terceiros, de forma a receber dinheiro para pagar uma renda exorbitante, o arrendatário vende o seu trabalho (e a própria existência) ao arrendador. Tudo bem que deixará de ter vida e vontade própria, mas nem tudo é mau: terá um caixote de 2x2 metros, confortavelmente instalado numa garagem, onde poderá dormir quentinho.

Outra hipótese é criarmos um programa de televisão, em sinal codificado, no qual as pessoas entram num labirinto e se matam por um T3 com varanda. Depois, vendemos os direitos de transmissão para apoiar a habitação social.

Não faltará muito tempo para que nos apareça um político a dizer que é preciso mudar o paradigma: ter dinheiro para uma casa é coisa do passado. E que até há vantagens nisso: quanto maior o número de pessoas a viver na rua, mais seguras ficam as ruas.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Os meteorologistas mandam em nós

Os meteorologistas são o equivalente, na vida adulta, dos nossos pais quando éramos pequenos. “Estás a ver aquele passeio que ias dar no Sábado à tarde? Esquece, vão estar a chover pequenos rebos de gelo do tamanho de cerejas”; “Estás a ver aquela saída de bicicleta que tinhas planeado para Domingo de manhã? Esquece, só se pregares a bicicleta ao chão, porque vão estar vacas a voar com o vento”.

É isto que os meteorologistas fazem, tal como os nossos pais já o faziam, na nossa infância. Com a agravante de que os meteorologistas são pagos para nos dar más notícias, enquanto que os nossos pais ainda tinham que aguentar connosco em casa, de birra.

Apesar deste conflito sempre latente, o segredo da nossa boa relação com os meteorologistas está em fingir surpresa. É como quando nos contam um segredo sobre uma pessoa e essa pessoa acaba por nos revelar esse mesmo segredo: temos que fingir surpresa, para não estragar tudo. Com os meteorologistas, é o mesmo.

– Vai haver chuvadas de meter medo.

– A sério? No Inverno? Não pode ser!

– Vai estar muito calor.

– A sério? Em Julho? Não pode ser!

Os congressos de meteorologistas são bastante emocionantes. Há sempre um senhor que sobe ao palco e diz “Estimados colegas, estou em condições de afirmar, depois de um estudo de uma vida, que, o Verão é, tendencialmente, quente, e o Inverno é, tendencialmente, frio”. Há um silêncio ensurdecedor na sala. Está a acontecer Ciência, naquele momento. Depois, alguém diz “Espera, acho que a minha avó já me dizia isso quando eu era pequeno” e alguém diz “Isso é porque a tua avó era uma meteorologista e não o sabia”.

No fundo, os dotes de meteorologista são como as capacidades dos Jedi no “Star Wars”: nascem connosco. A habilidade de olhar para um céu nublado e dizer “vem aí uma tromba de água”, ou enfrentar um céu estrelado e dizer “amanhã vai estar um rico dia de sol”, é como o jeito para pintar. Ou se tem ou não se tem.

Depois, é só estudar bastante para perceber o anticiclone dos Açores e as frentes frias, saber distinguir o vento a soprar fraco do vento a soprar moderado a forte e saber onde fica Noroeste ou Sudeste, entre outros pontos cardeais.

Por estes dias, temos andado a saltar de tempestade em tempestade. Parecemos um pugilista que leva um valente sopapo, logo depois de se levantar do tapete. Já agora, porque é que chamam tapete ao chão do ringue de boxe? Não há ali tapete nenhum. E devia haver, para que os queixos caíssem em superfícies mais fofinhas. E devia haver um candeeiro e um sofá ao canto, para que um desportista pudesse levar sopapos num ambiente mais acolhedor.

Voltemos às tempestades. Neste jogo do boxe de saltar de tempestade em tempestade, os meteorologistas são o treinador, a gritar no canto do ringue. “Desvia-te! Levanta os braços! Ataca pela direita! Ataca pela direita!”. O que não se percebe muito bem, porque levantar os braços e desviar não são gestos úteis contra bolas de granizo do tamanho de cerejas e ventos capazes de arrancar pinheiros, sobreiros e aquele cacto pequenino que está num vaso na varanda. Uma pena, porque o pinheiro ou o sobreiro, pronto, não eram de ninguém, mas o cacto tinha sido oferecido pela tia Laurinda e tinha valor sentimental.

E com a nossa falta de juízo, o planeta está a aquecer e o clima a ficar maluco. Um dia, pior do que estarmos prestes a extinguir-nos, algo completamente irrelevante, enfrentaremos a tragédia de teremos congressos de meteorologistas que não saberão que tempo estará em Julho.

A noite mais longa dos trolls

Declaro-me solidário com os trolls das redes sociais e garanto ter já criado uma pequena força de intervenção para prestar auxílio a quem está a dar os primeiros sinais de exaustão, depois de ter destilado ódio nas redes sociais, durante mais de três dias, sem descanso.

O passado dia 4 foi dos mais cansativos, em muito tempo. Não para mim, não para ti, talvez, mas para os trolls das redes sociais. Foi um Domingo com um nível de exigência semelhante ao de um treino de uma tropa especial, para os nossos amados internautas responsáveis por nobres tarefas como enxovalhar pessoas em caixas de comentários ou partilhar “fake news” de páginas cujo nome deveria ser suficiente para que ninguém as lesse.

Tudo tem o seu contexto. Vínhamos de um fim-de-semana futebolístico que começara na Sexta-feira, com um Porto-Sporting. Por outras palavras, começou cedo a tarefa árdua, ainda mais intensa ao fim-de-semana, de partilhar conteúdos de gosto ou veracidade duvidosos que possam enxovalhar os gostos clubistas de outras pessoas, sejam eles quais forem. O futebolista cansa-se a jogar futebol, o troll cansa-se a insultar os adeptos adversários. É tudo desporto, portanto.

Mas isto é normal, dia após dia, semana após semana. O problema é que, depois do jantar de Domingo, surge o Festival da Canção. Quando os trolls das redes sociais se preparavam para enterrar os machados de guerra, surgem não sei quantas canções, interpretadas por não sei quantas pessoas, e toca a criticar tudo e todos. “Isto é tudo feito, a RTP é um clube de amigos”, “De que se vestiu aquela gaja?”, “Este gajo é um palhaço”, ou “Que p*** de música é esta? Vamos ficar em último”, são alguns dos pequenos pedaços de paraíso literário que os trolls derramam em caixas de comentários, sob a forma de uma espécie de baba viscosa.

No fim, ganhe quem ganhar, é hora da turba se reunir, tal qual horda de zombies, e desancar em quem ganhou. Terminada esta tarefa, chega a hora dos trolls irem fazer ó-ó, certo?

Errado. Havia noite de Óscares. O troll pousa a batuta de maestro que comenta questões musicais e, em vez do pijaminha, veste o seu fato de gala e pega no seu caderninho de crítico de cinema. Tudo muito bonito, mas o troll não tira a camisola de imbecil "futeboleiro" e acaba por invadir as caixas de comentários das redes sociais com críticas aos filmes que ganham, acompanhadas por elogios aos filmes que deveriam ter ganho, inclusivamente, o “Velocidade Furiosa 42” e o “Vingadores: Guerra de Cenas e o Hulk”.

Sobre o movimento “Me Too”, os trolls pensam tratar-se de uma hashtag fixe para colocar no Instagram, a acompanhar uma foto no ginásio.

Pelo meio, continua a morrer gente na Síria e a Itália está em pantanas. Os poucos trolls que sabem que a Síria e a Itália são países consideram que a culpa é do sistema. Talvez seja dos poucos momentos em que têm razão. Só não sabem que o sistema somos nós todos.

Troll, se me estás a ler, enxovalha este texto que eu farei com que os primeiros socorros cheguem até ti.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Todos os meses, Carnaval

O meu Carnaval preferido foi um em que me mascarei de Batman. A minha mãe, grande especialista na costura, confeccionou-me um fato, de raiz. Ficou espectacular em 98%: as orelhas do capuz do Cavaleiro Negro ficam sempre direitinhas, as do meu fato caíam. Em 2% do meu fato, eu parecia um coelhinho. Ou seja, 2% do fato de um vigilante que aterroriza os criminosos de Gotham City parecia as orelhas de um animal fofinho.

Tirando isso, foi espectacular.

Analisando friamente esta festa, estou em condições de afirmar que o mal do Carnaval é ser no Inverno. Ainda por cima, numa Terça-feira. Está frio e, muitas vezes, chove. Calha à semana, uma pessoa pode ter coisas combinadas. E nem toda a gente tem seis dias de tolerância de ponto, a começar na Quarta-feira anterior.

Para mim, o Carnaval devia ser dividido: pegava-se nas 24 horas e dividia-se por doze períodos de duas horas. A lei passaria a conceder-nos o direito de andarmos mascarados duas horas em cada mês.

Isto poderia fazer com que, certa vez, alguém fosse trabalhar mascarado.

– Fernando, tenho aqui um desafio para si. – Diria a directora.

– Vamos a isso. – Responderia o Fernando, mascarado de palhaço.

– Pensei em si para dirigir todo o departamento de produção.

– Eh pá, que orgulho. – Responderia o Fernando, enquanto tocava uma buzinha que traria acoplada ao ombro.

– A direcção considera que a sua respeitabilidade será um trunfo, para liderar uma equipa de quase 100 pessoas.

– Estarei à altura, chefe. – Responderia o Fernando, enquanto atiraria uma tarte à sua própria cara.

– A sua capacidade de aguentar a pressão também foi uma qualidade determinante.

– Compreendo, chefe. – Diria o Fernando, enquanto cairia propositadamente da cadeira.

Se o Carnaval fosse duas horas por mês, um professor poderia dar uma aula mascarado.

– Hoje vamos falar sobre alguns princípios de macroeconomia. – Diria o professor, vestido de urso.

– Professor, quer almoçar connosco na cantina? É salmão. Assim escusa de ir apanhá-los a subir o rio. – Diria uma aluna.

– Vamos também abordar alguns princípios de finanças públicas. – Diria o professor.

– Não era melhor a aula ser no exterior? Se o professor precisar de coçar as costas, pode roçar-se numa árvore. – Sugeriria a mesma aluna.

Se o Carnaval fosse dividido, alguém poderia ir mascarado depositar dinheiro ao banco.

– Gostaria de levantar todo o dinheiro da minha conta. – Diria o cliente, mascarado de assaltante.

– Só o da sua conta? – Perguntaria a funcionária do banco, assustada.

– Sim, sim. Estou a gozar as minhas duas horas de Carnaval.

– Peço desculpa, mas assim que entrou e tirou a senha, chamei a polícia.

– Não acha que, se fosse um assalto, eu não tiraria senha?

– Sei lá, ainda há pessoas civilizadas! – Responderia a funcionária, irritada.

– Que barraca! Agora vou ter que responder a perguntas.

Nisto, entraria um polícia.

– Vai ter que me acompanhar à esquadra.

– Mas estas são as minhas duas horas de Carnaval.

– Também as minhas, estava a brincar consigo. – Responderia o polícia.

– Ei, que alívio. Pensei que me tinha metido em chatices.

– Estava a brincar. Sou mesmo polícia. Pode acompanhar-me?

Se o Carnaval fosse dividido, alguém poderia ir mascarado à farmácia.

– Tem alguma coisa para a prisão de ventre? Estou tão entupido que já nem consigo voar. – Diria um homem vestido de Super-Homem.

Se o Carnaval fosse duas horas por mês, um tipo poderia ir ao hospital mascarado de zombie. Soaria um alarme, a cidade seria evacuada e isolada em menos de uma hora. O homem acabaria por ficar sem saber o que fazer.

– Será que há greve?

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O futuro é feio

O Governo chinês está a desenvolver um “sistema de crédito social”, que consiste num método de classificar os cidadãos, num ranking, consoante os dados que eles fornecem a empresas tecnológicas ligadas ao consumo e, com isso, garantir-lhes ou vedar-lhes o acesso a determinados bens ou serviços. Parece um episódio do “Black Mirror”.

A disputa entre Rui Rio e Santana Lopes pela liderança do PSD ficou marcada muito mais pelas questões pessoais, tais como descobrir quem foi mais fiel ao partido e quem falou menos vezes com o Pacheco Pereira, nos últimos quinze anos, do que pelas políticas que cada um tinha para o país.

Tenho uma amiga que diz que o vizinho do 5.º esquerdo faz voluntariado e é muito educado e prestável (no fundo, uma jóia de pessoa), mas não gosta dele porque ele, uma vez, chegou bêbado a casa, às cinco da manhã, e cantou o hino nacional, sem erros, na escada do prédio, enquanto urinava num vaso.

O primeiro e o segundo exemplos preocupam-me um pouco, mas o terceiro deixa-me aterrado. Quem nunca cantou o hino bêbado? Assim se cria má vizinhança, sem necessidade nenhuma.

Todos estes exemplos demonstram como a sociedade das redes sociais e dos “reality shows” está a tornar as questões pessoais o centro de tudo. Qualquer dia, a sociedade vai empolgar-se com as eleições, que serão decididas, palmo a palmo, entre multas de estacionamento e número de palavrões ditos, nos últimos quatro anos.

Não demorará muito tempo até que uma selecção de um candidato a um posto de trabalho se faça da seguinte forma.

- Chefe, temos aqui este candidato. Doutorado em Engenharia Espacial.

- Eh pá, sim senhor.

- Dados retirados da sua pulseira de actividade desportiva indicam que se deita sempre muito tarde e que tem uma vida sexual muito activa.

- Eh pá, o gajo é um javardo. Deve ser daqueles que vêm trabalhar cheios de sono.

- Tem mais dois doutoramentos: um em Física Quântica e outro em Química.

- Eh pá, notável.

- Mas tem perfil no Tinder e já pagou uma vez por sexo, na despedida de solteiro de um amigo.

- Eh pá, o gajo é um libertino. Vai meter-se com as miúdas todas aqui na empresa. Isso dá mau ambiente.

- Foi uma vez ao espaço. Foi medalhado em natação, nos últimos Jogos Olímpicos.

- Eh pá, sim senhor, um homem de acção.

- Teve seis multas de estacionamento nos últimos dez anos.

- Ui, o homem qualquer dia fica sem carta. Não queremos isso, depois chega sempre tarde ao trabalho.

- Tem oito patentes registadas, na área da robótica.

- Eh pá, um inventor!

- Gosta da saga “Velocidade Furiosa”.

- Ui, isso é azeiteiro. Depois vai pôr aqui a música alta.

- Deu aulas no M. I. T., durante dois anos.

- Eh pá, um professor.

- Nas últimas presidenciais, votou num candidato de esquerda.

- Eh pá, um revolucionário, ainda nos faz aqui uma greve.

- Faz voluntariado.

- Eh pá, um homem que percebe o seu papel na sociedade.

- Uma vez, chegou a casa bêbado e cantou o hino nas escadas do prédio, enquanto urinava num vaso.

- De facto, este gajo é muito qualificado. Mas a conduta deixa a desejar. Não tens mais ninguém?

- Tenho esta candidata, doutorada em…

- O que pensa ela dos direitos das mulheres?

- Uma vez, publicou nas redes sociais que o sexismo era um dos entraves ao desenvolvimento da sociedade.

- Esquece, é feminista. Vai engravidar mal a contratemos.

- Mas tem seis doutoramentos e os seus métodos ajudaram a recuperar uma empresa que estava perto da falência. Devíamos considerar…

- Esquece. Tens mais alguém?

- Tenho este gajo. Licenciatura em Engenharia Informática por concluir, só trabalhou seis meses, nos últimos cinco anos, porque rejeitou todas as propostas de trabalho. Mas diz a pulseira dele que nunca se deitou depois das 23h.

- Liga-lhe.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Vinte e cinco anos a escrever SMS's

No passado dia 3 de Dezembro, fez 25 anos que foi enviada a primeira SMS. Na altura, o engenheiro britânico Neil Papworth enviou, através de um computador (os telemóveis não tinham teclados com letras), a mensagem “Merry Christmas” (“Feliz Natal”) para o telemóvel de um funcionário da empresa que estava a testar o sistema.

Se pudesse, este funcionário teria respondido o mesmo. Ou, então, “Hoje vamos ver a bola em casa do Peter” (fim de mensagem), “Aparece” (fim de mensagem), “Traz cerveja” (fim de mensagem), “Afinal não é preciso cerveja” (fim de mensagem), “No fim, jogamos um póquer” (fim de mensagem), “Afinal não vamos jogar póquer” (fim de mensagem), “O Louis tem que ir para casa cedo, senão a mulher dele tripa” (fim de mensagem), “Já sabes como é” (fim de mensagem), “Golo do Chelsea” (fim de mensagem), “Então, não vens?” (fim de mensagem).

Terão sido as pinturas rupestres as primeiras SMS? Será que, alguma vez, um ser humano  terá escrito, na parede de uma gruta “Encontrei mamutes no vale” (fim de mensagem)? Será que outro ser humano terá respondido “Não te aproximes, um deles atacou-me” (fim de mensagem), “Ia-me dando uma valente bordoada”, “LOL” (fim de mensagem)?

Quando surgiram, as mensagens escritas eram uma espécie de tecnologia futurista vinda de outro planeta. Com aqueles telemóveis do tamanho de um sapato, podíamos escrevinhar uns textos curtos e enviá-los a outra pessoa. Pagava-se para se fazer isto. O que representa alguma justiça: quando os seres humanos comunicavam por sinais de fumo, não havia lenha infinita para fazer fogueiras. Custava apanhá-la. Com esta necessidade de gerir a lenha, os sinais de fumo foram sendo usados com critério. 

O mesmo que existia nos primórdios das SMS: valia tudo para poupar caracteres. Era possível, naqueles tempos, receber uma mensagem a dizer “E s fsses p o crlh?” (fim de mensagem). Uma vez que eu era, e calculo que o meu leitor também, uma pessoa de bem, ficaria incrédulo com tal impropério, e responderia “Pk?” (fim de mensagem). Certamente que a resposta seria “Dscp, enganei-m no nr” (fim de mensagem).

Pumba, meia dúzia de cêntimos à vida, a mandar a pessoa errada para o “crlh”. Bons tempos.

Hoje, vale tudo. Temos tantos meios de conversação que nem sabemos qual usar. Dizemos coisas a mais. Não só, perdemos o poder de síntese, como, pior, não sabemos seleccionar a informação essencial. “Hoje não vou poder ir ao jogo.” (fim de mensagem), “Tenho dores no joelho” (fim de mensagem), “Já na semana passada me doeu” (fim de mensagem), “Mas também tenho umas cenas para tratar” (fim de mensagem), “Nada de especial” (fim de mensagem), “Acabei com a minha namorada” (fim de mensagem), “E o nosso planeta foi invadido por extra-terrestres” (fim de mensagem), “Está a dar na televisão” (fim de mensagem), “Vamos ser todos aniquilados” (fim de mensagem), “Calha bem, porque tinha que pagar agora o seguro do carro” (fim de mensagem), “LOL” (fim de mensagem).

Felizmente, os nossos pais e avós mantêm o poder de síntese à antiga: continuam a gerir os caracteres das SMS como se fossem diamantes. Não porque elas sejam caras, mas porque detestam comunicar desta forma e ter que escrevinhar nestes aparelhos. Às vezes, são demasiado telegráficos. “A que horas vens jan8” (fim de mensagem) ou “Tens bacalhau do almoço no mi37” (fim de mensagem) são mensagens que, infelizmente, foram enviadas antes de estarem escritas mas que, felizmente, aprendemos a descodificar com o tempo.

Mas o maior feito no mundo dos SMS é o dos bêbados: enviar uma mensagem escrita com excesso de álcool no sangue é mais difícil do que aprender Islandês, para não referir como pode ser perigoso. É incrível como, sempre que bebemos em demasia, alguém mexe nas definições do nosso telemóvel, às escondidas, e depois as letras que queremos introduzir não são aquelas que realmente introduzimos. Alguém devia investigar isso, porque só mexem no telemóvel quando bebemos.

E é curioso que, muitas vezes, um bêbado fica com uma enorme vontade de enviar duas ou três mensagens a uma pessoa (ou mais?), de cariz geralmente emocional-sexual, mensagem essa cuja autoria poderá ser, no dia seguinte, negada até à exaustão.

“Achas mesmo que eu te mandava isso? Alguém pegou no meu telemóvel e enviou uma SMS para um número da lista, à sorte. Eu nunca te diria uma coisa dessas” (fim de mensagem), “Mas já que estamos a falar, desejo-te um Feliz Natal” (fim de mensagem), “Isto se não nos virmos antes” (fim de mensagem), “Queres ir tomar um café?” (fim de mensagem).