sábado, 17 de setembro de 2016

Pessoas que só comem maçã

O que mais admiro na Apple é o facto de ter mudado, várias vezes, a forma como utilizamos a tecnologia. Fizeram-nos com os computadores, fizeram-no com os leitores de música, fizeram-no com os telemóveis e ainda criaram um objecto que, a princípio, parecia ridículo, mas que muita gente usa, nos dias de hoje: o tablet. Também admiro que, à pala da vontade de ter um iPhone, muitos burgessos se tenham tornado burgessos 2.0, com acesso à net e conta de e-mail. Foi como se a Apple tivesse reinventado o fogo e muitos burgessos tivessem saído da caverna para o Facebook.



À custa deste potencial disruptivo, a Apple conseguiu um estatuto que poucas empresas têm: tem uma legião de fãs de tal forma fiéis que, o que quer que se lhes apresente, eles elogiam. Se um verdadeiro fã da Apple tiver que cortar um braço para defender a sua dama, a única preocupação que ele terá será pousar o telefone, para que este não caia ao chão com o braço cortado.

Enquanto que o utilizador comum de telefone (mesmo o utilizador comum de Apple) tem o seu telefone e não quer saber se mais alguém tem um igual, o utilizador fanático da Apple tenta vender um Apple a todos os outros utilizadores, como se fosse um tipo das televendas. Ainda assim, prefiro os tipos das televendas, porque me falam de ficar com abdominais espectaculares e de tupperwares com lâminas que cortam frutos e legumes. O “vendedor” Apple, mais aborrecido, fala-me de hardware e de iOS X.

Na apresentação do iPhone 7, Phil Schiller, vice-presidente para a área do marketing da empresa, anunciou que este era o melhor iPhone alguma vez feito. Isto é, claramente, um golpe de génio, digno de um especialista em marketing, porque toda a gente esperava que uma das empresas mais valiosas do Mundo, depois de um ano de um intensivo processo de investigação e desenvolvimento, apresentasse um produto igual ao do ano anterior, mas com um nome e um aspecto diferente. Nada disso, Phil Schiller causou o espanto ao anunciar que o melhor telefone da Apple era, curiosamente, o mais recente.

O iPhone 7 tem melhor processador, mais memória, melhor ecrã, melhor câmara e um revolucionário programa de lavagem de roupa a 60º. Esperem, há aqui uma característica que não sei se faz parte. Já sei: acho que não tem mais memória.

Eu gostaria de fazer uma espécie de experiência social, que consistiria em fazer um lançamento fictício de um iPhone e testar a reacção dos fanáticos. Seria, mais ou menos, assim.

Apple – “O processador é igual ao do ano passado. Para além disso, tirámos a agenda e a calculadora. O telefone traz um bloco de notas e um ábaco, para quem quiser fazer contas.”
Fanáticos – “É bom, porque nos obriga a racionalizar os recursos de processamento e a desenvolver a memória e o cálculo mental.”

Apple – “O telefone não tem memória. Os utilizadores terão que ter um MacBook para armazenar tudo.”
Fanáticos – “É bom, assim o telefone nunca fica lento. E eu já tinha que comprar um MacBook e já…”

Apple – “O telefone não terá câmara incorporada. Terá seis tipos de câmara, vendidas separadamente, que poderão ser ligadas ao aparelho através da entrada lightning.”
Fanáticos – “É bom, porque quem não gostar de fotografia não tem que andar com câmara no telefone. E quem quiser câmara, também pode escolher uma ao seu gosto.”

Apple – “A navegação na net será mais lenta.”
Fanáticos – “É bom, porque poupas tráfego de dados.”

Apple – “O ecrã terá menos resolução.”
Fanáticos – “É bom, porque assim valorizas mais o conteúdo do vídeo e menos o aspecto.”

Apple – “O telefone só pode ser carregado com o cabo de alimentação que vem de origem, mais nenhum funciona. Não vale a pena pedir um a um amigo que tenha um igual.”
Fanáticos – “É bom, porque assim não corres o risco de ligar um cabo danificado. Só te ajuda a manter o telefone em segurança.”

Apple – “Apesar de ser pior do que o anterior, o telefone vai custar 800 paus.”
Fanáticos – “Justifica, o design é excelente.”

Os fanáticos da Apple são como membros de uma claque de futebol. Só que enquanto o tipo da claque te atira pedras, o fanático da Apple apaga-te da cloud.

10 comentários:

  1. Adorei o post!! Gosto imenso desta marca mas concordo muito com a tua opinião...

    Passa pelo blog e deixa as tuas perguntas:
    http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2016/09/q-3-facam-as-vossas-perguntas.html

    Beijinhos

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  2. Compre um S7 Note que isso passa......
    Hater!

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  3. Na realidade a Apple não tem trazido nada de novo, apenas reinventa aquilo que já existe e da lhe outro nome. Foi assim com os leitores de mp3 e foi assim com os computadores. Mudem para Android, esses sim trazem novidades todos os anos.

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  4. Fanáticos existem em todas as esferas da sociedade. E entre os fãs da Apple não seria diferente. Também tenho iPhone, mas o 5S. E olhe que tenho acesso a todos os lançamentos! Dentre os Sistemas Opertivos existentes para smartphones, IOS, Windows, Android, todos possuem características próprias, onde cada sistema vai satisfazer determinado utilizador. Não dá para fazer comparações. Existem fãs do Android que passam a vida a "detonar" a Apple. Mas como tudo na vida, cada necessidade gera uma escolha.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Queres comparar Android a Apple??? Toma juízo cresce um pouquinho

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    3. Queres comparar Android a Apple??? Toma juízo cresce um pouquinho

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  5. Hey. A Apple não inventou a tablet. Abc

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  6. Depois de ler este texto, fiquei com 2 dúvidas...
    Primeiro, porque tanta preocupação e revolta com uma coisa que não te vai fazer feliz e segundo, não serás tu o fanático?

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