domingo, 1 de novembro de 2015

Ases do volante

Há quem conduza e quem faça competições na estrada. É bem diferente. Muito do que fazemos, a conduzir, define-nos, enquanto seres mais ou menos pensantes, mais ou menos aptos para sermos possuidores de título de condução. A carta de condução chama-se “carta” porque muitos parecem tê-la obtido por correspondência.
(Chris/Flickr)
Ao fim de alguns quilómetros, já todos encontrámos algumas destas personagens do asfalto.

Velocidade Furiosa
Ultrapassam até numa garagem. Para estes condutores, a linha contínua é arte urbana, é um risco no chão, nada mais do que isso. Duas rodas chegam perfeitamente para curvar. E assim até se dá espectáculo. Para eles, passar no verde é para fracos, no amarelo é fixe, no vermelho é a loucura. A inversão de marcha faz-se com um pião. Arriscam a vida deles e dos outros por uma ultrapassagem. Por dois segundos de vantagem. Conduzem sempre pela esquerda. Mesmo quando não há faixa da esquerda. O problema deles é matemático: dois segundos de vantagem podem chegar para ganhar o Mundial de Fórmula 1, mas neste desporto não há carros em sentido contrário, na outra faixa. Em muitos casos, depois de nos ultrapassarem, encontramo-los parados no semáforo seguinte. Nunca olham para o lado. São inconscientes, mas conseguem perceber quando acabaram de ultrapassar a linha contínua da estupidez. Vivem como se fossem constantemente perseguidos por espiões inimigos. Nem que partilhem a estrada apenas com um velhinho num carro eléctrico (cuidado com os velhinhos nos carros eléctricos: não que eles conduzam depressa, mas às vezes não dão pisca).

GPS
Sabem sempre o melhor caminho. Não, não sabem. O truque, muitas vezes, está na argumentação, mais do que na sabedoria. “Este caminho é mais curto”; “Não é mais curto, mas tem menos trânsito”; “Não tem menos trânsito, mas não há semáforos”; “Por aqui, o piso gasta menos os pneus”; “Por aqui, é a descer, poupas gasolina”; “Por aqui é mais bonito”; “Por aqui, passamos naquela pastelaria que tem uns pastéis de nata muito bons”; “Por aqui, entras num portal para outra dimensão”; “Por aqui, vamos por aqui. É o único caminho em que essa condição se verifica”. Se um destes condutores fosse a Marte, acabariam por expulsá-lo da nave, por ele querer corrigir permanentemente a trajectória.

Coruja
Estes condutores são particularmente irritantes, porque conduzem muito lentamente, enquanto olham para todo o lado. Por vezes, a cabeça deles dá uma volta de 360º, tornando-os estranhamente parecidos com corujas.

Tartaruga
Só ultrapassam os 25 km/h em casos de emergência. Aí, perdem a cabeça e chegam a atingir uns impensáveis 50 km/h. A direcção, a suspensão e os pneus destes condutores praticamente não sofrem desgaste. Até a dentição é impecável. A não ser que abram o vidro e mandem umas bocas a um condutor “Velocidade Furiosa”. Aí perdem um retrovisor e dois dentes da frente.

Tartaruga Ninja
São iguais aos anteriores, excepto se alguém os ultrapassar, enquanto olha para eles com ar de gozo, ou se acelerar num semáforo, indiciando que vai arrancar com força. Aí, os condutores “Tartaruga Ninja” passam do estado “Tartaruga” ao “Velocidade Furiosa”, mais depressa do que passam dos 0 aos 100 km/h.

Houdini
Conseguem estacionar um jipe numa banheira. Em três manobras. Sem sensores e sem espelho de um dos lados.

Velho do Restelo
São o inverso dos “Houdini”. Podem ter um campo de futebol para estacionar, que acabam sempre por achar que não cabe. Costumam ser magros, uma vez que estacionam sempre muito longe e fazem, por isso, longas caminhadas.

Alexandre, o Grande
O Mundo é o parque de estacionamento deles. Nem que seja em terceira fila, há sempre lugar à porta.

Cristóvão Colombo
Nunca sabem o caminho, mas chegam sempre aonde querem. Nem que queiram ir à Índia e acabem na América. Estes condutores beneficiam do facto de a Terra ser redonda. Se fosse plana, acabariam por cair numa das extremidades. Se fossem tão bons a adivinhar números, como são a adivinhar caminhos, o Euromilhões teria os dias contados.

D. Sebastião
Demoram seis meses a memorizar o caminho para o trabalho. Alguns, na primeira vez em que saem da cidade, perdem-se. Para sempre.

O que é aquilo?
Nunca olham para os sinais de trânsito. Geralmente, passam a olhar quando um “Stop” corre mal.

Luzes, só no pinheiro
Pisca? LOL.

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