domingo, 11 de outubro de 2015

Comprar tecnologia: eles vs. elas

Depois do texto “Comprar roupa: eles vs. elas”, chega o momento de dissertar acerca da compra de tecnologia. O homem, quando compra tecnologia, tem em consideração uma série de factores que podem, no que diz respeito aos “gadgets”, fazer a diferença entre ser o Tone Morcela, que nem e-mail tem, e ser o James Bond (atenção, o Chico Morcela é diferente, porque já tem um iPhone 6s, o James Bond também não tem e-mail, mas é porque não existe).

(woicik/Flickr)
Vamos supor que um homem quer comprar um computador. O primeiro modelo a captar a sua atenção tem um super-processador, tão rápido que é capaz de mandar um pedido de amizade no Facebook antes de um gajo saber que a miúda é gira. Tão rápido que calcula o custo de uma obra pública já a contar com a derrapagem. Tão rápido que, quando um gajo acaba de instalar o FIFA, o campeonato já vai na quinta jornada. Tão rápido que, quando um gajo instala um programa, lê os “Termos e Condições”, só para abrandar um pouco o processo. Portanto, já toda a gente percebeu que o processador é rápido.

O computador tem tal quantidade de memória RAM que consegue processar, em simultâneo, todos os dados da NASA, do MIT, do acelerador de partículas do CERN e (atenção, que este último parâmetro é o que diferencia um processador normal de um super-processador) da base de dados de filmes pornográficos do Chico Morcela.

A placa gráfica é tão avançada que, uma vez, um gajo levou realmente um balázio a jogar GTA. (Na verdade, o balázio foi dado por uns gajos manhosos a quem ele devia dinheiro e que lhe entraram em casa. Mas a placa gráfica é boa, na mesma.)

Enfim, é um computador de sonho. Mas custa 4999,99 euros. O homem passa para algo mais em conta. 799,99 euros, um computador que dá para jogar FIFA, sem ficar lento.

Mas “oitocentos paus” por um computador é um bocado puxado. Então, o homem desenvolve um sentido de sobrevivência que orgulharia os nossos antepassados, um sentido prático que faz dele um soldado em situação de sobrevivência. “Ora bem, qual é, para mim, a verdadeira finalidade de um computador? Trabalho? Não. Jogos? Não. Bem, na verdade, eu quero um computador que dê para ir ao Facebook e para ver pornografia.”

- Amigo, aquele de 299,99 euros tá óptimo!

No caso das senhoras, o cenário muda de figura. Imaginemos que uma mulher vai comprar um computador. Apresentam-lhe o computador com um super-processador, uma memória RAM que faz inveja àquele nosso amigo que sabe o nome de todos os filmes produzidos desde 1972, mais a placa gráfica dos balázios. Ela gosta da ideia, mas acha um absurdo dar tanto dinheiro por um computador.

Continua a procura e encontra um computador que tem um processador tão lento que, se quisermos instalar o FIFA 16, temos que o comprar quando sair o 15. Um processador tão lento que encrava na calculadora. Um computador que tem tão pouco espaço de armazenamento que, se os outros computadores falassem, chamar-lhe-iam “disquete”. Um computador... azul turquesa.

Está escolhido. Não vai jogar FIFA nem GTA, calculadora tem no telemóvel, espaço tem no disco externo. Custa 299,99 euros, dá para ir ao Facebook e para ver séries. E é lindo de morrer. Quando deixar de o usar, poderá usá-lo como objecto decorativo.

A mulher finaliza a compra antes do homem. Porque o homem, entretanto, foi fazer um crédito. Vai levar o de 799,99 euros. Nem é pelo FIFA, é porque pode dar jeito para o trabalho. Mas parece que o FIFA, este ano, está espectacular.

1 comentário:

  1. adorei! é tão verdade!
    Quando comprei o meu queria em branco... mas depois decidi optar por um daquelas de 799 mas que é perfeito para edição de video e imagem... Não é branco, mas sei que fiz a escolha certa :p

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