Terminar relações: algumas desculpas originais

Todos nós já recorremos a desculpas para acabar uma relação. E esse hábito é tão comum que acabamos por recorrer àquelas que toda a gente usa. Clássicos como “O problema não és tu, sou eu”, “Preciso de tempo”, “Preciso de espaço”, “Preciso de me encontrar”, “És a pessoa certa na altura errada” ou “Não estou pronto/a para assumir um compromisso” são muito úteis, quando queremos comunicar uma decisão drástica, minimizando os estragos.

(Alex/Flickr)
Acho que isto é pouco original. Se é para ficarmos na memória de alguém, que seja por sermos disruptivos na hora de nos justificarmos. Em mais um momento de verdadeiro serviço público, proporcionado por este blogue (ou, apenas, através de mais uma parvoíce que decidi partilhar), deixo algumas sugestões de desculpas para terminar relações.

“Este ano, Júpiter vai alinhar com Saturno, o que afecta a minha energia. Vou ficar insuportável. Gosto tanto de ti que tenho que te proteger deste problema.”
Óptimo para usar com pessoas que se informam pouco acerca do movimento dos planetas mas que, ao mesmo tempo, acreditam na Astrologia.

“És a minha terceira relação desde que houve um acidente na central nuclear de Fukushima [podem escolher outro desastre qualquer]. Sou obsessivo-compulsivo e gosto de números pares. O 3 é impar. Temos de terminar já, sob o risco de causarmos um desastre nuclear global.”
Recomendado para usar com pessoas obsessivo-compulsivas, porque vão entender-te na perfeição: elas sabem como o Universo depende do que nós fazemos.

“Não estás verdadeiramente comprometida com a defesa do lince ibérico.”
Resulta na perfeição com pessoas que não gostam muito de animais.

“Não tens opinião formada acerca dos mercados de dívida pública.”
Ideal para usar com qualquer pessoa, porque ninguém tem opinião sobre este assunto, nem mesmo as pessoas que trabalham nestes mercados.

“Nunca quiseste saber onde fica a Macedónia, o que é uma falta de respeito para com as minhas origens, porque um bisavô meu esteve lá.”
Parecida com a anterior: dá para usar com toda a gente, porque ninguém sabe onde fica a Macedónia.

“Vou alistar-me no exército. Quero dedicar-me só ao meu país.”
Esta mentira durará pouco tempo, porque poderás ser encontrado regularmente nos mesmos locais que frequentavas. Nesse caso, tens que dar a entender que estás numa missão ultra-secreta. Mas sem o dizeres directamente. Senão, a missão torna-se menos secreta e a tua desculpa menos credível.

“Tenho material radioactivo no braço, em resultado de uma cirurgia mal feita. Ao fim de alguns meses em contacto comigo, podes ter problemas.”
Convém usar com uma pessoa não perceba nada de radioactividade, mas que seja capaz de intuir que é uma coisa perigosa.

“Falo a dormir. Falo muito. Digo ‘Os Lusíadas’ de uma ponta a outra.”
Esta desculpa tem uma grande desvantagem: só pode ser usada com alguém com quem ainda não tenhas dormido. Mas nem tudo é mau: vais parecer muito culto/a.

“Nasceste em Fevereiro. Não posso confiar em alguém que nasceu num mês que nem trinta dias tem”.
Não sei se resulta, mas dá para quando estiveres sem ideias.

Se tiveres alguma intenção, ainda que reduzida, de não excluir um futuro envolvimento com a pessoa com quem vais acabar a relação, não uses nenhuma desculpa deste género: poderá afectar a tua credibilidade.

Agora vou terminar o texto. O problema não é o leitor, sou eu. Preciso do meu espaço.

Comentários

  1. Ahahah... Foi original, assim é interessante. Imagine-se um pedido de casamento público e a mulher recusa exactamente com uma desculpa dessas. Possivelmente adoraria estar por lá a preencher o vazio da multidão :D

    Um Abraço!

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