segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um segundo a mais

O ano de 2015 vai ter um segundo a mais. Isto porque o International Earth Rotation Service calculou que esse segundo será fundamental para que não haja discrepância entre o Tempo Atómico Internacional (dado pelos relógios atómicos) e o tempo astronómico (dado pelos gajos que leem o futuro nos astros). Mentira, eu queria dizer “tempo dado pelos próprios astros”.

(Ricky Thakrar/Flickr)

Que o resto do Mundo tenha mais um segundo, até acredito. Em Portugal, vai ser mais complicado. Isto porque vai ser necessária uma justificação desse segundo, por parte de meia dúzia de departamentos de Física das nossas universidades. Depois de um intenso debate, com direito a uma edição do programa “Prós e Contras”, em que as pessoas vão aplaudir ambas as partes, de cinco em cinco minutos, vai surgir uma decisão: enviar a decisão para a Assembleia da República.

Os partidos não vão chegar a acordo, porque uns vão querer decidir, outros vão querer um referendo. Feitas as contas, vão impedir que o ano tenha mais um segundo.

Perante esta decisão, algum deputado vai acabar por enviar a questão para o Tribunal Constitucional. Os juízes desta instância vão ratificar o segundo a mais, mas a questão não fica por aqui.

O segundo terá que entrar em vigor, mas algum funcionário público vai enviar a questão ao chefe do departamento, que a vai remeter para o director regional, que a vai remeter para o director-geral, que a vai remeter para o ministro da tutela.

Este, confuso, vai pedir um relatório ao Tribunal de Contas. O Tribunal de Contas diz que o segundo está certo e o Tribunal Constitucional pergunta se vai ter que se chatear.

Um requerimento especial do ministro vai ser enviado ao director-geral, que o vai passar ao director regional, que o vai passar ao chefe do departamento, que o vai passar ao funcionário. Este vai dizer que com ele não há maroscas, o pedido fica com a senha 153 e ele ainda vai no utente com a senha 98.

O segundo a mais acaba por entrar em vigor, estamos já em 2017.

Medina Carreira vai comentar: “Estamos mais atrasados em relação à Europa”.

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