quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Três portugueses quase notáveis

A revista Forbes escolheu as trinta personalidades com menos de trinta anos que mais se destacaram, em diversas áreas, ao longo de 2014. Três destas personalidades são portuguesas: o futebolista Cristiano Ronaldo, o artista plástico Alexandre Farto, conhecido como “Vhils”, e a investigadora Maria Pereira.

O Texto Incompleto conhece outros três portugueses que se inserem na categoria “Pessoas que se poderiam ter destacado, não fosse o facto de não se terem destacado”.

(Macroscopic Solutions/Flickr)

Manuel Regueza, 29 anos, heptacampeão de sueca da vila de Guelhofeses
Um jovem prodígio da sueca, é um hábil contador de cartas desde os seis anos. Diz que se orgulha de nunca ter sido apanhado numa renúncia. Já disputou alguns torneios fora de Guelhofeses, mas nunca os venceu, por se ter envolvido em cenas de pancadaria antes da final. Os seus passatempos são ver o Benfica, comer tripa enfarinhada e fazer campeonatos de “arremesso de bigornas”. Este ano, mudou de parceiro na sueca e prepara-se para defender o título. Já afirmou que está ganho, de qualquer maneira: ou ganha mesmo ou acaba à chapada com a equipa adversária.

Joaquina Fagundes, 29 anos, Presidente da Junta de Freguesia de Trapezes de Cima
Entrou na política aos 18 anos, quando, no liceu, foi eleita delegada de turma. Teve um talho. Agora, tem dois: abriu um novo em Trapezes de Baixo. Segundo conta, em tom de brincadeira, para Trapezes de Baixo só manda a carne de baixo. Foi eleita para a Junta de Freguesia com 98% dos votos. Captou o eleitorado, fundamentalmente, com os seus ideais, com a sua história de vida e com as propostas para a freguesia. Os burgessos que não compreenderam os seus discursos, votaram nela, na mesma: trata-se de uma mulher extraordinariamente bonita. Não gosta de futebol, porque, segundo afirma, “é um jogo muito suave”. Gosta de boxe e de artes marciais.

Alberto Podeira, 29 anos, dono da tasca “Casa do Marmelo”, na aldeia de Burgeses
Abriu a tasca com 20 anos. Em menos de cinco, já tinha, associados ao estabelecimento, uma fundação e um estaleiro cultural (o estaleiro era só ao fim-de-semana, durante a semana era uma oficina do Tone Chapeiro). Recebeu, no seu estabelecimento, as mais altas personalidades das aldeias limítrofes. Algumas delas foram expulsas, devido a comportamento inadequado. Não sem antes pagarem a despesa. Criou uma rede de tascas chamada “Pataniscas com poesia”, através da qual promove o intercâmbio cultural entre aldeias. Esse intercâmbio consiste em grandes jantaradas e torneios de sueca. “A poesia era para dar cagança, mas costumamos avançar essa parte”, explica. Manuel Regueza está proibido de entrar na tasca, por ser, segundo ele, “um javardo das cartas”. Como passatempo, restaura carros antigos. O seu preferido é um Fiat 600 que, depois de muito trabalho, passou de todo empenado para moderadamente empenado.

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