quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Comer porcarias a sério

Bill Gates bebeu água destilada a partir de fezes. O objectivo desta acção foi promover uma nova tecnologia que produz água e electricidade a partir de dejectos humanos, tecnologia essa que será utilizada nos países mais pobres.

Esta é a parte que eu não percebo. Porque não utilizar isto nos países ricos? Nos restaurantes ricos, inclusivamente? É que nós já comemos porcaria várias vezes, sem o sabermos. Porque não comer porcaria sabendo que é porcaria?

(Javier Lastras/Flickr)

Um restaurante gourmet. Um chefe de sala nascido em Portugal, mas com sotaque francês, para dar mais cagança. Vestido a rigor, vai encaminhando os clientes para as mesas, ajeitando as cadeiras e entregando as ementas como se fossem bumerangues.

De fundo, músicas bonitas que alguém tocava, no piano. Através de uma abertura na parede, via-se a cozinha, onde os artífices cozinhavam a sorrir e ao som da música.

Cá fora, um gajo assaltava uns carritos, mas como está frio, vamos para dentro outra vez.

Um senhor sujava a camisa com molho mostarda, mas logo aparecia um empregado com tira-nódoas, deixando a camisa quase igual (durante duas horas, porque depois o efeito iria passar e a camisa iria para o lixo).

Os pedidos começavam a surgir.

- Cocó com molho Gorgonzola.

- Excelente escolha.

- Como é o “Cocó Wellington”?

- Envolto em massa folhada, com pasta de cogumelos frescos e presunto de Parma.

- Vou querer cocó assado com açafrão, avelãs, mel e água de rosas.

No fim das refeições, os clientes, sempre exigentes, faziam os reparos.

- O cocó estava óptimo, mas as avelãs e a água de rosas não estavam no ponto.

- O cocó estava óptimo, mas a massa folhada não se faz assim.

- O cocó estava óptimo, mas isto não é molho Gorgonzola.

Nisto, Bill Gates entrava no restaurante e dizia:

- E uma garrafinha de água destilada a partir de fezes?

A resposta seria unânime.

- Aaaaargh, que nojo!

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