sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Quero todos os legos do planeta

As mulheres querem ser mães porque a Natureza as programou para tal. Querem passar pela extraordinária experiência de ter, dentro do seu corpo, uma nova vida a desenvolver-se. Querem ter o bebé no colo, querem aquela cumplicidade inquebrável entre mãe e filho. Querem ser mães, ponto.

Um gajo quer ter filhos para ter uma boa desculpa para voltar a comprar brinquedos. 

Ontem estive numa loja de brinquedos, para comprar a prenda de um sobrinho e, tal como tinha decidido, procurei brinquedos da Lego.

(Do-Hyun Kim/Flickr)

No momento em que entrei na respectiva secção, a minha vida mudou. Apeteceu-me comprar todos os legos, ir para uma ilha deserta e passar o resto da vida a construir naves e carros de Lego.

Claro que esta ideia é estúpida: se fosse para uma ilha deserta, deixaria de poder voltar a comprar Lego.

Fiquei a pensar que o Mundo seria um lugar mais agradável se todas as pessoas brincassem com Lego. Primeiro, porque todos teríamos com quem construir cidades e castelos. Depois, porque as pessoas teriam menos stress.

Imaginem o Presidente dos Estados Unidos, no meio de uma reunião de crise, a dizer: “Meus senhores, sei que temos mísseis apontados a Washington, Nova Iorque e Los Angeles, mas já combinei com o Presidente da Rússia e não vai haver lançamento durante o dia de hoje, porque vamos fazer uma competição de construção em Lego”.

O Mundo teria menos problemas.

Um Primeiro-Ministro revelaria que duas grandes obras tinham sido canceladas, por falta de verbas, mas acrescentaria: “Nem tudo está perdido, acabámos de comprar vinte mil baldes de Lego, pelo que haverá sempre algo para construir”.

O Mundo teria menos problemas.

O presidente de uma empresa gigante, depois de um dia de queda na bolsa, reunia com a administração e dizia: “Pessoal, temos um assunto muito importante para discutir. Preciso de tomar uma decisão crítica. Não sei se construo, em Lego, o carro do Batman ou uma nave do Star Wars. E não saio desta sala enquanto não houver uma decisão”.

O Mundo teria menos problemas.

Talvez o Mundo tivesse um problema, se o Lego sempre tivesse existido: Leonardo Da Vinci, Galileu, Einstein ou Salvador Dalí não teriam tido tempo para revolucionar a Ciência e a Arte.

Mas teriam feito umas casas bem fixes. Ou naves, no caso de Da Vinci. Ou coisas, no caso de Dalí.

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