Coisas em que acreditávamos

Crescer é fixe, mas tem muitas desvantagens. Tudo bem, ficamos mais independentes. Mas continuo a dizer que tem as suas desvantagens. E não vou dizer coisas vagas como “a inocência da infância é bonita”. Vou falar de vantagens concretas de ser criança.

(Karunakar Rayker/Flickr)

Era fácil acordar cedo ao sábado
Ver desenhos animados no sofá da sala parecia ser mais eficaz, na luta contra o sono, do que 28 latas de Red Bull. E, cheguei eu a contar, a manhã de Sábado tinha, entre as 8 e as 13, cerca de 96 horas. Cheguei a ganhar brancas, só numa manhã.

(Careca fiquei mais tarde.)

O melhor futebolista do Mundo era o que fazia mais fintas
Não havia presidente da FIFA ou da UEFA que pudesse contornar isto: o melhor jogador era o que fazia mais fintas. Ponto.

Um computador dava para fazer tudo
Era possível, como o Batman fazia, na Bat-Caverna, aceder a toda a informação e programar todas as máquinas. As teclas não tinham letras e, mesmo assim, o Batman sabia onde carregar. Hoje em dia, não sabemos trabalhar no Windows 8 nem configurar o ambiente de trabalho.

Podias sempre chamar o Super-Homem
Ele ouvia tudo e vinha ajudar-te. Se não viesse, era porque estava na Austrália, a ajudar uma corporação de bombeiros a apagar um grande fogo florestal. Hoje, se a polícia demora mais dois minutos a chegar, dizes mal do Mundo.

Falavas para o relógio, à espera de te transformar em Power Ranger
Depois, o menino a quem chamaste “gordo” dava-te uma tareia. Mas continuavas com a certeza de que aquele relógio dava para ser um Power Ranger.

Encostavas uma concha ao ouvido e ouvias o mar
Era o conceito de wireless antes de ele existir. Nisso, fomos uma espécie de Einstein da biologia marinha.

Acreditavas que podias alimentar-te só de gomas
Depois, doía-te a barriga, mas de certeza que tinha sido por causa da sopa.

Fazer os deveres era a tua única preocupação
Depois, cresces e tens deveres todos os dias.

O Direito consistia em chegar primeiro, dizer primeiro ou, em último caso, ter mais força
Hoje, há regras para tudo, mas continuas sem saber quem tem razão.

Dizer “Protecção, campo magnético” parece ser suficiente para te defenderes de um ataque de lobos
Nunca ter enfrentado lobos contribuiu decisivamente para esta crença

Acreditavas no número “infinitos milhões”
Sentias que ele tinha um potencial tremendo para quantificar grandezas astronómicas. Apesar disso, admiravas quem já sabia contar até 497.

Achavas que podias, um dia, ter um tigre em casa
Depois, alguns crescem e passam a ter medo de um mosquito.

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