quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Quando desligam o microfone

Sempre que uma entrevista televisiva acaba, entrevistador e entrevistado trocam algumas palavras, enquanto a imagem ainda nos mostra o estúdio, antes de passar à publicidade ou ao programa seguinte. Sempre me perguntei de que raio eles falavam, todos sorridentes. Pensei em algumas hipóteses.

(Phil Rankin/Flickr)

Entrevista ao Primeiro-Ministro
São anunciados cortes na despesa do Estado e um aumento de impostos. No fim da entrevista, o Primeiro-Ministro dirige-se ao jornalista. “Sabe, ontem experimentei uma receita de frango bastante boa. É um bocado gourmet, porque fiquei com fome e tive que comer uma sande de presunto, no fim, mas tem a sua piada.”

Aqui, podia ser ao contrário. O Primeiro-Ministro anunciava, em primeira mão, a receita de frango. Depois, no fim da entrevista, dizia ao jornalista o seguinte: “Sabe, vou aumentar os impostos. Largo”.

Entrevista a um treinador de futebol
Um treinador que foi despedido fala sobre os problemas existentes num grande clube. Um verdadeiro escândalo, com problemas entre os jogadores e directores que desestabilizam a equipa. No fim diz: “Mas, lixado, lixado, é o nosso Primeiro-Ministro, que vai aumentar os impostos. Isso e uma dor que tenho numa perna que não me deixa em paz”.

Entrevista a um empresário
Vai comprar dez empresas, mais Júpiter e Saturno. No fim, diz: “Não conhece ninguém que queira comprar um T3 no centro de Lisboa? É bastante jeitoso. Só estou a vender porque o dinheiro dava-me jeito”.

Entrevista ao dono de um banco
São reveladas várias falcatruas que quase levaram o banco à falência. No fim, o dono do banco diz: “É como aquele penalty no jogo do Benfica. Um escândalo!”.

Um ditador
Declara guerra a um país vizinho. Usará armas nucleares, químicas, biológicas, bem como o Son Guku. No fim, diz que está com pressa, porque vai jogar FIFA’15 online, contra o Presidente do país vizinho.

Outra forte hipótese é a que me sugere que as entrevistas estão combinadas e, no fim, entrevistador e entrevistado conversam sobre o decurso da mesma.

- Acho que correu bem. – Afirma o entrevistado.

- Podia ter sido mais claro. É que o Son Goku toda a gente conhece. Mas que raio são armas químicas? – Pergunta o entrevistador.

Seja como for, ninguém me tira da ideia: a parte boa de uma entrevista nunca chega ao público.

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