O homem que inventa nomes de vinhos

Gostava de saber quem é que escolhe o nome para os vinhos. Aliás, eu tenho uma teoria sobre isso: Existe um homem, fechado num quarto, para o qual atiram comida, água e cigarros, que inventa nomes de vinhos.

E de jogadores de futebol brasileiros. De que outro contexto poderiam surgir nomes como Givanildo, Rivaldo ou Ednardo?

(Davide Restivo/Flickr)

 O homem que inventa nomes de vinhos tem as paredes do quarto cheias de folhas escritas com palavras. Depois, faz combinações, com maior ou menor grau de aleatoriedade.

- Precisava de um nome para um vinho.

- Herdade do Bochecho.

- Muito bom.

Imaginem alguém que tinha um avô muito forte e queria homenageá-lo com o nome de um vinho.

- O seu avô era alto?

- Era.

- Lugar do Penedo.

Um indivíduo com um grau de estupidez demasiado elevado procura o homem que inventa nomes de vinhos.

- Quero a imortalidade, através deste vinho.

- Tenho o nome ideial: Quinta do Cepo.

- Cepo? Porquê cepo?

- Porque os cepos podem ser a base de alguma coisa. Como o senhor é a base deste vinho.

- Gostei.

- É por isso ou por “cepo” poder designar estúpido.

- Prefiro a primeira.

Se mantivermos esta lógica, como explicar os nomes dos vinhos Quinta da Cesta e Herdade do Rego?

Claro: eu ia acabar por exceder os limites e entrar na javardice semântica. Só podia. E fi-lo porque, enquanto escrevo, bebo um ou dois copos de “Lugar das Seiras”. Não sabem o que são seiras? São cestas. Sabem o que são cestas?

Agora a sério, vamos parar com esta palhaçada. Não dou dois parágrafos e estou a dizer que o homem que inventa nomes nomes de vinhos gosta de um Alto da Picha, maduro tinto. Ou de um Carreiro do Riacho. Branco. Fresquinho.

Também há outra hipótese: os vinho adquirem nomes dos lugares onde são produzidos. E, nesse caso, há um homem que inventa nomes de lugares.

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