quinta-feira, 30 de outubro de 2014

E se existissem pessoas "premium"?

Uma das palavras mais em voga, nos dias de hoje, é “premium”. Na televisão, há canais “premium”. Há serviços “premium” por todo o lado. Há cartões “premium”. Há gins “premium”, águas “premium”. Até já me falaram em Coca-cola “premium”.

Esta realidade sugeriu-me que o conceito poderia ser aplicado, com sucesso, às pessoas. 

Pessoas “premium”.

Imaginem que tinham um amigo que, embora fosse boa pessoa, era muito chato. Vocês ligavam para uma linha de apoio qualquer (existem aos montes) e pediam uma substituição do amigo. Como é óbvio, este serviço implicaria um custo, uma vez que estariam a fazer um “upgrade”: passar de um amigo normal, aborrecido, para um “premium”, que seria quase tão espectacular como o Chuck Norris.

Esse amigo, para além de não ser chato, perceberia imenso de mulheres, futebol, carros e videojogos (afinal, os assuntos que realmente importam). Saberia os números de telefone das miúdas giras, apresentá-las-ia, sem se intrometer, depois, no desenrolar da nossa interacção com elas. Seria do nosso clube (e isto é muito importante). Seria, verdadeiramente, “premium”.

Mas o conceito não termina aqui. Íamos a uma repartição pública e éramos atendidos por uma funcionária antipática e pouco competente. Ligaríamos para a linha de apoio e pediríamos um “upgrade”. Passaríamos a ser atendidos por uma funcionária muito bonita (não que isto seja determinante, é apenas um extra…), simpática e muito rápida no desempenho das tarefas. Teria, também, wi-fi incorporado, para podermos ir à net enquanto ela tratava da papelada. Seria uma espécie de “Robocop” da função pública.

Mas com mamas.

Grandes.

No fundo, o conceito “premium” divide as coisas entre as categorias “espectacular” e “é o que se pode arranjar, se não gostas, desenrasca-te, quem dá o que tem, a mais não é obrigado, embora isto não seja o que eu tenho, porque podes escolher 'premium' e pagar como deve ser”. As companhias de aviação já descobriram isto há muito tempo. O conceito ganha, agora, força noutras  áreas.

Mesmo no mundo dos blogues: o leitor pode sempre procurar um “premium”, em vez de estar aqui a ler isto. É o que eu faço.

Agora que penso nisso, se o meu blogue não é “premium”, então os meus leitores são-no, uma vez que insistem em voltar aqui.

Isso é um privilégio. Sobretudo, porque não paguei nada por leitores deste calibre. Pode ser uma promoção dos primeiros seis meses. Daquelas que servem para um gajo, depois, não querer outra coisa.

Sem comentários:

Enviar um comentário