E se existissem pessoas "premium"?

Uma das palavras mais em voga, nos dias de hoje, é “premium”. Na televisão, há canais “premium”. Há serviços “premium” por todo o lado. Há cartões “premium”. Há gins “premium”, águas “premium”. Até já me falaram em Coca-cola “premium”.

Esta realidade sugeriu-me que o conceito poderia ser aplicado, com sucesso, às pessoas. 

Pessoas “premium”.

(Steven Zucker/Flickr)

Imaginem que tinham um amigo que, embora fosse boa pessoa, era muito chato. Vocês ligavam para uma linha de apoio qualquer (existem aos montes) e pediam uma substituição do amigo. Como é óbvio, este serviço implicaria um custo, uma vez que estariam a fazer um “upgrade”: passar de um amigo normal, aborrecido, para um “premium”, que seria quase tão espectacular como o Chuck Norris.

Esse amigo, para além de não ser chato, perceberia imenso de mulheres, futebol, carros e videojogos (afinal, os assuntos que realmente importam). Saberia os números de telefone das miúdas giras, apresentá-las-ia, sem se intrometer, depois, no desenrolar da nossa interacção com elas. Seria do nosso clube (e isto é muito importante). Seria, verdadeiramente, “premium”.

Mas o conceito não termina aqui. Íamos a uma repartição pública e éramos atendidos por uma funcionária antipática e pouco competente. Ligaríamos para a linha de apoio e pediríamos um “upgrade”. Passaríamos a ser atendidos por uma funcionária muito bonita (não que isto seja determinante, é apenas um extra…), simpática e muito rápida no desempenho das tarefas. Teria, também, wi-fi incorporado, para podermos ir à net enquanto ela tratava da papelada. Seria uma espécie de “Robocop” da função pública.

Mas com mamas.

Grandes.

No fundo, o conceito “premium” divide as coisas entre as categorias “espectacular” e “é o que se pode arranjar, se não gostas, desenrasca-te, quem dá o que tem, a mais não é obrigado, embora isto não seja o que eu tenho, porque podes escolher 'premium' e pagar como deve ser”. As companhias de aviação já descobriram isto há muito tempo. O conceito ganha, agora, força noutras  áreas.

Mesmo no mundo dos blogues: o leitor pode sempre procurar um “premium”, em vez de estar aqui a ler isto. É o que eu faço.

Agora que penso nisso, se o meu blogue não é “premium”, então os meus leitores são-no, uma vez que insistem em voltar aqui.

Isso é um privilégio. Sobretudo, porque não paguei nada por leitores deste calibre. Pode ser uma promoção dos primeiros seis meses. Daquelas que servem para um gajo, depois, não querer outra coisa.

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