quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Salvem os meteorologistas

Sou um defensor dos meteorologistas. Toda a gente os ataca, sem motivo. Parecem os políticos ou os árbitros de futebol.

Não parecem nada. Os meteorologistas sabem o que fazem.

(aimhelix/Flickr)
As pessoas passam a vida a queixar-se, sem razão. Eles (e vou usar a expressão “eles” com base em clássicos como “eles dão chuva para amanhã”) preveem 32 graus. Verificam-se 30 e toda a gente reclama. Eles preveem chuva durante a manhã. Chove durante a tarde e toda a gente reclama.

Eles preveem vento fraco a moderado e verifica-se vento forte. A única pessoa do Mundo que sabe distinguir, com precisão, vento moderado de vento forte, reclama.

Eles dão-se ao trabalho de prever o estado do tempo para dez dias. Basta falharem uma manhã e já há quem os queira mandar para a fogueira. Num dia de sol porque, com chuva, a fogueira apagar-se-ia.

Eles analisam dados complexos e ajudam-nos a escolher a roupa para amanhã. (Isto foi só para enganar, eu escolho a roupa de manhã, nunca na noite anterior.)

E se, noutras profissões, houvesse o mesmo grau de acerto dos meteorologistas? O Mundo seria um lugar melhor.

Os políticos cumpririam a maior parte das promessas. As obras públicas não teriam derrapagens financeiras de 500%. O treinador da nossa equipa de futebol acertaria na escolha dos jogadores. Nós acertaríamos nas mulheres com quem ter uma relação. Elas acertariam nos homens adequados.

Com uma vassoura.

Não teríamos ido àquele restaurante “gourmet”, pagar muito e comer pouco. Não teríamos acreditado naquela mensagem a dizer que tínhamos ganho 80 milhões de euros, uma ilha no Dubai e o carro do Batman, só tendo que ligar para um número de valor híper-acrescentado para reclamar o prémio.

Atenção: isto nunca me aconteceu.

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