segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Resolver tudo com xadrez

Nos primórdios da nossa espécie, as divergências resolviam-se à chapada. No tempo dos cavaleiros, as divergências resolviam-se com uma espada. No tempo dos cowboys, era com uma pistola. Hoje, existem armas de destruição massiva prontas a ser usadas.

Como já deu para perceber, por esta sequência, que isto vai acabar mal, proponho uma nova forma de actuar. Seja em conflitos pessoas ou entre países, o ideal seria resolver tudo num jogo de xadrez.

(Ranil Amarasuriya/Flickr)
Logo a começar, iria melhorar a capacidade de raciocínio da generalidade da população. Estão a ver aquele ser rudimentar, incapaz de articular uma frase com conteúdo, que passa mais tempo a coçar os testículos do que a processar informação, a resolver um atrito com uma “abertura de dois cavalos”, à qual o seu adversário responderia com uma “defesa francesa”.

Imaginem dois gajos bêbados que se chateiam numa discoteca. Em vez de saírem para a rua e andarem à chapada, combinam um jogo de xadrez para o dia seguinte. E vão passar oito horas a resolver a contenda, em vez de dois minutos de pancadaria em que se perderia sangue e alguns dentes.

Imaginem que a Coreia do Norte decidia atacar todos os países do Mundo, excepto a China, Cuba, o Laos e o Vietname (no fundo, os países preferidos do Partido Comunista Português). Em vez de desatar a lançar mísseis para todo o lado, marcava vários jogos de xadrez.

Para aumentar a espectacularidade daquela espécie de guerra, os jogos seriam transmitidos na televisão. Claro que teríamos que adaptar o jogo: o jogador da Coreia do Norte, uma vez que era comunista, não tinha rei nem rainha, só tinha peões e cavalos.

No futebol, poderia ser uma forma de desempate. Em vez dos penalties, que toda a gente diz que são uma lotaria, colocaríamos os dois treinadores numa partida de xadrez. Claro que José Mourinho conseguiria ter peças super-motivadas e conseguiria transformar peças de damas em peças de xadrez. Já Jorge Jesus passaria o tempo todo a gritar com as peças e a chamar-lhes nomes.

Para isto resultar, teria que ser implementado nas escolas. Dois miúdos que se chateassem já não andariam à chapada no intervalo ou às 18h30 no portão da escola. Iriam para uma sala, jogar xadrez.

Para além de esta prática diminuir a violência, teria a vantagem de, pela concentração que o jogo exige, ajudar a calar aquelas pessoas que, em discussões, dizem o dobro das asneiras que costumam dizer em conversas tranquilas.

Acho que esta medida poderia tornar o Mundo melhor. Quem não concorda merecia duas chapadas.

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