Entre os 150 lugares
mais fascinantes do Mundo, 81 são supermercados. Não, não contei, mas os
economistas também não contam muita coisa e depois as surpresas acontecem. Nos
países, nos bancos, nas empresas e nas mercearias.
Mas os supermercados
são aquele lugar mágico onde tudo acontece. Tudo mesmo: enquanto o leitor lê
este texto, está um puto a lamber bacalhaus (um amigo meu jura que o fez, na
infância), está um gajo a provar as uvas às escondidas e uma senhora a ler uma
revista de ponta a ponta, enquanto espera pela vez de pagar. Como está atenta à
leitura, toda a gente lhe passa à frente. Até o gajo das uvas vai passar,
quando estiver de barriga cheia. Pode estar a haver
sexo desenfreado no armazém, mas só com o acesso às imagens da segurança
podemos confirmar. O segurança deve estar a gravar, para pôr na net.
No supermercado, um gajo rude, moderadamente saloio, estaciona o carro de
forma a ocupar dois lugares. Caminha pelo meio da via, ainda no parque, olhando
com ar de censura para quem passa por ele de carro e tenta contorná-lo.
Chega aos carrinhos e tenta tirá-los sem moeda. Uma ou outra tentativa
e pensa “um dia, descubro”. Entra no supermercado e vai com ideia de comprar
queijo, charcutaria e um “pack” de minis.
Passa pela secção dos livros de auto-ajuda e fica curioso com os
títulos. “Pareça mais inteligente”, “Melhore o seu rendimento no trabalho”,
“Melhore a sua vida sexual”, “Física de Partículas para Totós”, “Física de
Partículas para Gajos Muito Estúpidos”, “Segredos da cozinha vegetariana”. Neste, ele não pega, porque “comida vegetariana não é de macho”. Ainda assim, traz um livro sobre “Como ficar rico em 500 dias”, escrito
por um gajo que, entretanto, faliu.
Passa na zona de materiais de construção e compra uma rebarbadora nova,
que a dele “já não dá rendement” (ele diz assim, como se fosse em Francês, para
ser mais fixe).
Leva ainda uma bola de futebol do Benfica, para o mais pequeno e, na
zona de roupa de senhora, ainda pensa em levar qualquer coisa sensual, para a
esposa, mas tem vergonha de escolher.
Encontra um amigo e fala sobre duas ou três questões relevantes de
futebol. O tempo passa e dirige-se para a caixa. Tudo isto, sem ter ido buscar
queijo, charcutaria e cerveja.
Acaba a tarde no café, a comer uma sande de presunto e a beber uma
mini, enquanto lê, atentamente, “Como ficar rico em 500 dias”.
No armazém, a cena de sexo desenfreado termina. Há artigos para repor.
Esta história é fictícia, mas suficientemente verídica.
Lambi sim senhor :|
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