quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A felicidade é complicada

Pelo menos, na fórmula que um grupo de cientistas apontou como aquela que nos revela o caminho certo para se ser feliz. O estudo tem o aborrecido nome de “Um modelo neuronal e computacional para um momento subjetivo de felicidade”.


É nisto que os cientistas podem irritar-nos. Se o tema do estudo é a felicidade, arranjem um título divertido. Algo como “Um modelo espectacular para te sentires bué altamente”. Ou “Um modelo… yupi!!!”. Algo que mostre que, por momentos, vocês saíram da pele de cientistas.

(Tentem que o título não revele que vocês ingeriram felicidade, no estado sólido, líquido ou gasoso).

O estudo colocou os participantes num jogo com recompensas monetárias e tentou medir as respostas aos estímulos. Ficou demonstrado que, quando mais tempo passa sobre um momento, menos ele contribui para a nossa felicidade. E que a expectativa está directamente relacionada com a felicidade.

No primeiro caso, dá para perceber: o nosso clube de futebol pode ter sido campeão no ano anterior, que isso em nada contribui para a nossa felicidade. Só contribuirá se for campeão outra vez. Pelo menos, mais dez vezes.

E a expectativa também está sempre presente. Imaginem um gajo numa discoteca, em fim de noite, sendo que essa noite está a tornar-se cada vez mais deprimente. De repente, ele estabelece um contacto visual promissor com uma miúda (não interessa se é gira, o álcool, a partir de certa hora, só mostra miúdas giras). Num instante, a noite passa a ser espectacular. Tudo porque ele estava muito próximo de ir sozinho para casa e, de repente, há uma hipótese.

Ainda assim, olha-se para a fórmula da felicidade e percebem-se três coisas: a felicidade é impossível de atingir, porque a equação é impossível de resolver; se olhares mais do que dez segundos para aquela fórmula, transformas-te num carro velho, esquecido numa sucata (ou num matemático, o que é igual); aquilo é só uma maneira complicada de dizer o que já sabias, que é o mesmo que os políticos fazem, sempre que têm que justificar uma medida impopular.

O estudo envolveu 26 pessoas, a quem foi feito um “scan” cerebral, enquanto jogavam o dito jogo, no computador. Esse “scan” serviu de base para prever intervalos de padrões de felicidade de 18420 pessoas.

Dependendo da nacionalidade das 26 pessoas, digo eu, podemos ter diferentes resultados. Para um português, a felicidade é o seu clube de futebol ganhar. Para um brasileiro, é haver feijão e samba. Para um japonês, é haver um máquina fotográfica.

Houve um estudo, há alguns anos, que determinou que a Dinamarca era o país mais feliz do Mundo. Segundo o estudo, o segredo estava nas baixas expectativas. Ou seja, para um dinamarquês, se o sol nascer a Este e se puser a Oeste, já não é mau, porque tudo correu conforme o previsto.

Para mim, os dinamarqueses são felizes, fundamentalmente, porque vivem com dinamarquesas.

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