A Arte, como uma cena

Quanto menos se perceber de um determinado tema, mais ele nos parece sofisticado e inacessível. Como, por exemplo, charcutaria ou materiais de isolamento térmico.

Esperem, isto era de outro texto.

Como, por exemplo, Física Quântica. Ou Arte.

(JD Hancock/Flickr)


Não sei nada sobre Arte. Uma vez, estava a admirar um quadro, numa exposição, quando me vieram avisar de que aquilo era o pano de limpar os pincéis. Mesmo assim, parece que teve boas críticas e foi vendido por 1,5 milhões de euros.

Dizem que foi um recorde mundial, no que diz respeito a panos. O segundo que mais dinheiro rendeu foi o pano que um prestigiado “chef” usava a cozinhar. Foi comprado por 32 euros, no e-Bay, pelo dono de uma tasca de Vila Verde. O pano foi pendurado ao lado de um cachecol do clube da terra.

Ninguém entende um especialista em Arte. Já ouvi um a explicar como se deve preparar uma boa açorda. Quando o ia questionar acerca de uma parte desse processo, disseram-me para estar calado, porque ele estava a analisar um quadro.

Ainda assim, valeu a pena: o quadro era estranho, mas a açorda ficou excelente.

Acho má vontade dizer que não se percebe nada do que dizem os críticos de Arte. Às vezes, conseguimos distinguir expressões comuns, como “Boa noite”.

Gosto de Pintura. Havia um pintor que só desenhava meios quadros. Não, não era propositado: quando acabava o whisky, ele parava de desenhar. Começou a comprar garrafas maiores, mas os quadros continuaram a ficar a meio: a meio do processo, ele caía de bêbado.

Também gosto de Escultura. Cheguei a ver uma escultura gigante feita em caixotes. No início, não percebi, mas explicaram-me que aquilo era tão feio que os caixotes serviam para o escultor se esconder dentro deles.

Era o que eu faria, se fizesse uma escultura tão feia.

A minha arte preferida é a Literatura. Adoro que me contem o fim dos livros. Assim, só tenho que ler metade. Gosto de histórias sem muito romance. Para romantismo, já tenho a pornografia.

Gosto muito dos livros do Saramago. Muita gente critica a sua forma de pontuar. Nunca percebi: eu não leio os pontos.

Aprecio, num livro, as mesmas qualidades que aprecio numa mulher: uma boa lombada.

Peço desculpa, não era isto que queria dizer. Gosto de um livro que me faça pensar e que me surpreenda.

Mas, se puder ter uma boa lombada…

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